Empregados autistas da Caixa cobram reconhecimento, adaptações e respeito ao direito ao trabalho

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O Movimento Coletivo Caixa Autista divulgou manifesto em defesa do direito ao trabalho dos empregados autistas da Caixa. O documento cobra o reconhecimento administrativo da condição de pessoa com deficiência, a garantia de adaptações razoáveis, o teletrabalho como medida de acessibilidade, gestão especializada e possibilidade de progressão funcional.

Assinado por Larissa Argenta Ferreira de Melo, diretora recém-eleita do Sindicato e fundadora e coordenadora-geral do Movimento Coletivo Caixa Autista, o manifesto afirma que trabalhadores autistas da Caixa enfrentam dificuldades para obter o enquadramento como pessoas com deficiência, mesmo sendo essa condição reconhecida pela Lei 12.764/2012, a Lei Berenice Piana.

Segundo o coletivo, a ausência de procedimentos nacionais padronizados tem levado a negativas de enquadramento sem justificativa legal, entrevistas sem metodologia clara e avaliações conduzidas por profissionais sem especialização no tema. O grupo também relata situações em que empregados são reconhecidos como autistas, mas não como pessoas com deficiência, o que, para o movimento, cria uma distinção incompatível com a legislação.

A reivindicação central é simples: empregados autistas querem ter sua condição reconhecida e suas necessidades consideradas pela empresa. O manifesto lembra que a deficiência no transtorno do espectro autista não está na capacidade produtiva, mas nas barreiras de interação e comunicação social, muitas vezes agravadas por ambientes de trabalho pouco preparados para lidar com a neurodiversidade.

“Temos o direito de ser quem somos, e sermos respeitados em nosso direito ao trabalho”, afirma o documento.

Adaptação não é privilégio

O coletivo aponta que, mesmo quando há reconhecimento da condição, muitos empregados encontram obstáculos para acessar adaptações razoáveis. Entre os problemas relatados estão negativas de solicitações, falta de normatização interna e capacitismo no ambiente presencial.

O manifesto também chama atenção para o impacto do chamado masking, quando pessoas autistas escondem ou reprimem características próprias para tentar se adequar ao padrão esperado no ambiente corporativo. Essa tentativa permanente de parecer “normal”, segundo o texto, tem custo alto para a saúde física, mental e emocional dos empregados.

Para o movimento, adaptações razoáveis não podem ser tratadas como regalias. São condições necessárias para que o trabalhador possa exercer suas funções com saúde, segurança e dignidade. O documento defende que a gestão de pessoas autistas na Caixa seja conduzida de forma centralizada, por equipe técnica e gerencial com conhecimento sobre o TEA.

O coletivo também sustenta que, quando as adaptações são negadas, todos perdem: o empregado adoece, a família é impactada, o banco deixa de aproveitar habilidades profissionais e a sociedade arca com as consequências do afastamento e do sofrimento no trabalho.

“Nada sobre nós sem nós”

O manifesto informa que o Coletivo Caixa Autista participou da Conecef e da Conferência Nacional, defendendo a inclusão de suas demandas nas minutas em negociação. O grupo considera essa presença uma conquista, mas alerta que espaços de escuta, conselhos, grupos e diretrizes não substituem medidas concretas.

Para os empregados autistas, a falta de uma política efetiva dentro da Caixa faz com que direitos fiquem dependentes da decisão de gestores imediatos. Quando esses gestores alegam ausência de previsão normativa para negar adaptações, o resultado, segundo o coletivo, é uma negativa institucionalizada de direitos.

Entre as principais reivindicações estão o enquadramento administrativo como pessoa com deficiência, o teletrabalho como adaptação razoável, a criação de uma gestão centralizada e especializada em autismo e a garantia de progressão funcional.

Nesse contexto, a expressão “Nada sobre nós sem nós” resume a cobrança por participação real dos trabalhadores autistas nas decisões que envolvem sua vida profissional. O coletivo defende que inclusão não se faz apenas com discurso ou escuta formal, mas com reconhecimento, norma, adaptação e presença dos próprios empregados autistas nas mesas e processos que definem seus direitos.

Ao final, o movimento pede apoio das entidades representativas e associações para que essas pautas sejam defendidas nas negociações com a Caixa.

Leia a íntegra do documento

Fonte: Movimento Sindical

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