Nas décadas de 1980 e 1990, as agências bancárias eram o epicentro de uma epidemia física. Milhares de trabalhadores enfrentavam o diagnóstico de LER/Dort (Lesões por Esforços Repetitivos e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho). O adoecimento se via na pele, no gesso, nas tipoias e nos afastamentos visíveis. Combatemos aquela realidade com mobilização, exigindo ergonomia e respeito aos limites do corpo.
No século XXI, contudo, a dor mudou de lugar. Ela não pulsa mais apenas nos tendões; ela corrói a mente.
A transição da dor física para o sofrimento psíquico reflete a transformação profunda do sistema financeiro nas últimas duas décadas. Com a digitalização, o foco dos bancos deixou de ser o serviço operacional e passou a ser a venda agressiva e ininterrupta de produtos financeiros. O adoecimento físico deu lugar às doenças psicossomáticas.
| Sintomas Visíveis | Causa Principal |
| Dor Física, inflamações,
perda de movimentos |
Repetição mecânica
Digitação exaustiva |
| Isolamento, crises de pânico, exaustão mental | Cobrança abusiva, metas inalcançáveis, assédio moral |
A vida vale mais que o lucro
Não podemos aceitar que o colapso mental seja tratado como o “preço a se pagar” por uma carreira no setor financeiro. Os lucros recordes apresentados trimestres após trimestre pelos grandes bancos não podem continuar sendo financiados pela saúde, pelo sono e pela dignidade de quem está na linha de frente, nas agências e nos departamentos.
A frase “A vida vale mais que o lucro” não é apenas um slogan de campanha. Ela precisa ser o princípio ativo de cada decisão de gestão dentro das instituições financeiras e o motor das nossas ações diárias de fiscalização.
O adoecimento mental não é uma fraqueza individual do trabalhador; é o resultado direto de um modelo de gestão adoecedor.
Conscientizar para combater: A nossa nova cartilha
Para enfrentar esse cenário que avança de forma silenciosa dentro dos locais de trabalho, o Sindicato de Ponte Nova e Região inicia a distribuição da Cartilha sobre Saúde Mental no Trabalho Bancário. Este material é um instrumento técnico, mas também de acolhimento e alerta. Seu objetivo é ajudar a categoria a identificar os primeiros sinais de esgotamento, conhecer os seus direitos e romper com o isolamento que o assédio moral costuma impor.
Paralelamente, estamos atualizando o mapeamento do número de bancários afastados por motivos de saúde em nossa base. Precisamos mensurar a realidade para exigir mudanças estruturais e políticas eficazes de prevenção por parte dos bancos.
A prevenção começa com a informação e se consolida com a união. Se você sente que o trabalho está custando a sua paz, não sofra sozinho. Procure o departamento de saúde do seu Sindicato. Juntos, somos mais fortes para exigir um ambiente de trabalho que respeite a nossa mente, a nossa história e a nossa vida.
Fonte: SBPNR