A Campanha Salarial 2026 deixou claro o que a categoria bancária sentiu na pele: a proposta apresentada ficou aquém das nossas necessidades, da nossa luta e da importância dos bancários e bancárias para o sistema financeiro nacional. A insatisfação da base é um recado firme: sem mobilização permanente e pressão real, os bancos avançam, tentam impor limites aos nossos direitos e apostam no cansaço da categoria.
Não aceitaremos que direitos históricos fiquem sob ameaça a cada data-base, especialmente diante de bancos que acumulam lucros bilionários às custas do trabalho diário da categoria. É preciso construir, desde o início da campanha, uma mobilização nacional forte, com unidade, organização de base, pressão sobre a FENABAN e garantia prévia de manutenção integral da Convenção Coletiva até a assinatura de novo acordo.
Também é preciso afirmar com clareza: a luta nacional não pode ser conduzida de cima para baixo. Sindicatos pequenos e médios precisam ter voz efetiva nas decisões que impactam suas bases. Democracia sindical se faz ouvindo os trabalhadores, respeitando as diferenças regionais e garantindo participação real na construção da campanha.
A campanha deste ano também foi atravessada pelo calendário eleitoral, o que favorece a estratégia dos bancos de empurrar a negociação até o limite. Por isso, o Sindicato reafirma a necessidade de rediscutir a vigência de dois anos das Convenções Coletivas, pois campanhas bienais desmobilizam a categoria e reduzem nossa capacidade de enfrentamento.
A demora da FENABAN em apresentar uma proposta concreta revelou uma postura patronal que aposta no desgaste, na divisão e no cansaço. Faltou uma estratégia nacional mais contundente para colocar os bancários e bancárias em movimento e deixar claro aos bancos que não há negociação séria sem respeito às reivindicações da categoria.
Mais uma vez, a categoria chegou dividida ao momento decisivo. Essa divisão não fortalece os trabalhadores; fortalece os bancos. O cenário demonstrou que a luta precisava ter sido construída com mais unidade, antecedência e disposição de enfrentamento.
Nossa crítica é firme porque nasce do compromisso com a categoria. Negociar com a FENABAN e com os bancos públicos exige mais do que presença à mesa: exige pressão organizada, base mobilizada e unidade nacional construída de baixo para cima. A força dos trabalhadores está na organização e na disposição de luta.
Encerradas as assembleias da categoria, constatou-se que a maioria dos bancários e bancárias do país, inclusive em importantes capitais, aprovou a proposta da FENABAN para a rede privada. Já no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal, as reivindicações específicas não atendidas pelo governo foram determinantes para que esse segmento da categoria aprovasse a greve.
Na base de Ponte Nova, a categoria foi chamada a deliberar sobre os rumos da campanha. Diante da movimentação nacional e da cobrança dos bancários e bancárias da base, o Sindicato antecipou a consulta e garantiu espaço para que os trabalhadores manifestassem sua posição.
A votação confirmou a insatisfação de parte importante da categoria. Entre os bancários da rede privada que participaram , a maioria rejeitou a proposta da FENABAN, mas descartou a greve naquele momento. Já nos bancos públicos, a participação foi expressiva, a proposta do governo foi rejeitada e a greve por tempo indeterminado foi aprovada.
Nesta terça-feira, o Sindicato foi informado de que a Convenção Coletiva de Trabalho 2026/2028 será assinada ainda esta semana com a FENABAN, em razão da aprovação da proposta pela maioria nacional dos bancários e bancárias da rede privada.
O desafio agora é grande para as bases em que a proposta foi rejeitada. Como a CCT tem caráter nacional, caberá às direções sindicais e às suas bases decidirem se acompanham a decisão da maioria nacional ou se permanecem fora da Convenção. É uma decisão política difícil, marcada pela frustração legítima de uma categoria que esperava mais, merecia mais e poderia ter conquistado mais com maior pressão nacional.
Diante desse cenário, a Diretoria deliberou por uma nova votação exclusiva dos bancários da rede privada. Agora, a palavra volta para quem realmente deve decidir: a categoria. Caberá à base definir soberanamente se aceita seguir a orientação nacional ou se mantém a rejeição à proposta da FENABAN. O Sindicato não substituirá a vontade dos trabalhadores. A decisão nasce da base, pertence à categoria e será respeitada integralmente.
Fonte: SBPNR