Atendendo à pressão do mercado financeiro, o Banco Central decidiu interromper o ciclo de redução da taxa básica de juros e manter a Selic em 13,75% ao ano. A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), anunciada nesta quarta-feira (04/11), é mais um duro golpe para a economia brasileira.
A medida veio depois de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual, iniciados em março. Mais uma vez, o BC trata os sinais de preocupação do mercado financeiro como motivo suficiente para manter o país sob uma política monetária extremamente restritiva.
Alimentado por projeções pessimistas e pelo discurso de ameaça à estabilidade econômica, o ambiente de incerteza ganha proporções que pressionam as decisões do BC. O resultado é um país refém de expectativas do mercado, enquanto a população paga a conta.
Os juros elevados encarecem empréstimos e financiamentos, dificultam o acesso ao crédito, desestimulam o consumo e comprometem o orçamento das famílias. Quem precisa parcelar uma compra, financiar a casa própria, renegociar dívidas ou recorrer ao crédito para fechar as contas sente diretamente os efeitos dessa política nociva.
O impacto também atinge o mercado interno. Com o crédito mais caro, famílias consomem menos, empresas adiam investimentos, o comércio perde força e a indústria encontra mais obstáculos para ampliar a produção e contratar. É um ciclo que compromete o crescimento, limita a geração de empregos e aprofunda as dificuldades de quem vive do próprio trabalho.
Não por acaso, entidades conservadoras do setor industrial como Fiesp e CNI criticaram a decisão. A avaliação é de que a manutenção dos juros em patamar absurdo prolonga o encarecimento do crédito e prejudica empresas e consumidores. O custo dos financiamentos bancários para o setor produtivo e os empreendedores chega a aproximadamente 30% ao ano, tornando investimentos cada vez mais difíceis de viabilizar.
Fonte: Movimento Sindical