A inclusão de PCDs no mercado de trabalho anda a passos lentos. Levantamento da Startup Egalite revela que apenas 1,5% das vagas de trabalho destinadas a pessoas com deficiência são para cargos de lideranças técnicas e gerenciais, enquanto 98,5% dos postos de trabalho são para posições operacionais.
Apesar do aumento da preocupação pela inclusão por parte das empresas, a insegurança e baixa oportunidade se refletem na autovalorização. A pretensão salarial média dos candidatos PCDs é de apenas R$ 1.450,00, valor inferior ao salário mínimo vigente, de R$ 1.621,00. A diferença está relacionada à oferta de vagas com remunerações abaixo dos valores praticados no mercado, além de possíveis barreiras enfrentadas por esses profissionais nos processos seletivos.
A pesquisa também aponta uma redução nas oportunidades de trabalho remoto e híbrido, que representavam 28,4% das vagas em 2024 e passaram a 0,8% em 2026. A queda pode representar uma barreira adicional para pessoas com deficiência, principalmente em razão das dificuldades de mobilidade e acessibilidade no transporte. Com a redução dessas modalidades, a maior parte das oportunidades passa a exigir o trabalho presencial.
O desafio é ainda maior para os profissionais neurodivergentes, que se beneficiam do ambiente de casa para fins de regulação sensorial, possibilitando maior adaptação e diminuição da sobrecarga social.
Em um mercado em que marcadores identitários como deficiências, gênero, raça ou orientação sexual são fatores desclassificatórios, programas de inclusão, como o portal Inclui PCD, são agentes importantes para a empregabilidade do segmento. Essas iniciativas, porém, ainda precisam de maior colaboração das empresas para a ampliação das oportunidades de acordo com a qualificação dos profissionais PCDs.
Fonte: Movimento Sindical