Mensagens em celular de Vorcaro revelam plano de ataque midiático contra presidente do Itaú: ‘vou bater muito’

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247 – Conversas extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, registram discussões sobre uma estratégia de ataques midiáticos contra o Itaú Unibanco e, particularmente, contra o presidente da instituição, Milton Maluhy Filho. Os diálogos envolvem o publicitário e empresário Thiago Miranda, que foi sócio e diretor do Portal LeoDias, e incluem referências a um dossiê sobre o executivo, ao momento considerado adequado para determinadas publicações e à articulação de diferentes veículos.

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Segundo o Valor Econômico, as conversas indicam que a estratégia vinha sendo discutida pelo menos desde o fim de 2024. Em um dos diálogos, Miranda afirma: “Vou bater muito”. Em outro, Vorcaro defende reunir esforços de vários veículos e diz: “Eu quero fazer uma bomba atômica com esse cara”.

As conversas ocorreram em um período no qual grandes bancos brasileiros já manifestavam ao Banco Central preocupações relacionadas ao modelo de negócios do Master, fortemente apoiado na captação de depósitos protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O Itaú, maior banco do país, é também o maior associado do fundo.

“Vamos olhar com calma e estratégia”

Um dos episódios relatados pelo Valor ocorreu em 8 de dezembro de 2024. Miranda encaminhou a Vorcaro o link de uma publicação do Portal LeoDias cujo título fazia referência a supostos “escândalos internos” no Itaú. O então controlador do Master respondeu afirmando que os editores do site estavam “pegando fogo”, acompanhado de um emoji de fogueira.

O episódio aconteceu pouco depois de se tornar pública uma disputa envolvendo o Itaú e seu ex-diretor financeiro Alexsandro Broedel.

As mensagens também mostram Vorcaro opinando previamente sobre conteúdos encaminhados por Miranda. Em 21 de fevereiro de 2025, o publicitário enviou a ele a prévia de uma matéria sobre reajustes em planos de saúde.

Vorcaro pediu que a publicação fosse suspensa naquele momento. “Não solta não. Pelo amor de Deus. Segura isso. Vamos olhar com calma e estratégia”, escreveu.

Vorcaro pediu levantamento sobre CEO do Itaú

Também em fevereiro de 2025, Vorcaro solicitou a Miranda um levantamento sobre Milton Maluhy Filho.

“Estou precisando fazer um levantamento do Milton Maluhy. Está me causando muito problema”, afirmou Vorcaro.

“Deixa comigo”, respondeu Miranda.

Segundo a reportagem, entre os dados solicitados pelo então controlador do Master estavam informações de identificação civil, CPF e informações de caráter pessoal.

O episódio indica que o interesse sobre Maluhy não se restringia à atuação profissional do executivo. As mensagens mostram que o levantamento pretendido incluía também informações pessoais.

“Temos que bater no Milton”

As conversas relatadas pelo jornal avançaram nos meses seguintes. Em 2 de maio, Miranda fez uma postagem no Instagram do Portal LeoDias sobre o divórcio de Roberto Setubal, copresidente do conselho de administração do Itaú.

Vorcaro orientou o interlocutor a não direcionar a ação contra Setubal e indicou Maluhy como alvo.

“Temos que bater no Milton”, disse Vorcaro.

“Vou bater muito”, respondeu Miranda.

Vorcaro acrescentou: “Vamos alinhar antes de soltar. Porque os ‘timings’ são importantes”.

O diálogo reforça um aspecto recorrente das mensagens reveladas pelo Valor: a preocupação de Vorcaro com a coordenação e o momento das publicações.

“Campanha concatenada” em vários veículos

Dois dias depois, Miranda voltou a encaminhar um link de matéria a Vorcaro. A resposta do então controlador do Master foi mais explícita sobre a dimensão que pretendia dar à estratégia.

Vorcaro afirmou que os dois precisavam conversar e combinar uma “campanha concatenada”.

“Temos que juntar os esforços em vários veículos e vir com artilharia pra cima dele. […] Eu quero fazer uma bomba atômica com esse cara”, escreveu.

Miranda respondeu concordando com a proposta e mencionou a possibilidade de mobilizar outros meios e parceiros.

“Fechado. Eu orquestro isso e vamos pra cima com todos os veículos que temos e com os meus outros parceiros.”

As mensagens registram, portanto, discussões que iam além de conteúdos isolados. Os diálogos tratavam da coordenação das publicações, da escolha do alvo, do momento de divulgação e da participação de diferentes veículos.

Compliance Zero investiga atuação coordenada

Thiago Miranda tornou-se posteriormente alvo da 10ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 9 de julho de 2026.

Segundo a PF, essa etapa da investigação apura indícios de atuação coordenada nas redes sociais destinada, em tese, a comprometer a credibilidade da atuação do Banco Central. Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, em Brasília.

A Polícia Federal informou ainda que investiga a possível existência de uma organização criminosa dedicada à intimidação de jornalistas, ao monitoramento ilícito de pessoas ligadas a autoridades públicas, à obtenção indevida de informações sigilosas e à adoção de medidas destinadas a interferir em investigações criminais.

A corporação ressalta que os fatos permanecem sob investigação e que as condutas apuradas podem, em tese, configurar crimes contra o sistema financeiro nacional, organização criminosa, embaraço à investigação de organização criminosa e outros delitos correlatos.

Na reportagem publicada nesta quinta-feira, o Valor informou ter procurado o Itaú, que não quis se manifestar sobre as mensagens. A defesa de Thiago Miranda ainda não havia se posicionado, segundo o jornal.

 

Fonte :  Brasil 247 

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