Miguel Reale Jr. declara voto em Lula no segundo turno: “Com Flávio Bolsonaro é precipício”.

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Um dos autores do pedido que resultou no golpe contra Dilma Rousseff, jurista afirma que escolha busca preservar a democracia e o Estado de Direito

 

247 – O jurista Miguel Reale Júnior, ex-ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e um dos autores do pedido que resultou no golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), declarou voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial.

Em entrevista à coluna de Mônica Bergamo, do jornal Folha de São Paulo, publicada nesta quinta-feira (8), ele afirmou que a escolha busca preservar a democracia, o Estado de Direito e a soberania nacional.

“É fundamental que Lula seja eleito nosso presidente porque teremos a garantia da manutenção da democracia, do respeito ao Estado de Direito, da não instalação de um Estado policialesco e da salvaguarda da nossa soberania”, afirmou Reale Júnior.

O jurista reconheceu o desgaste do PT e do próprio Lula e admitiu que existe um sentimento de mudança entre os eleitores. Na avaliação dele, entretanto, esse cenário não justifica a escolha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário do presidente no segundo turno. “Com Flávio é precipício”, declarou.

Reale Júnior critica propostas de Flávio Bolsonaro

O ex-ministro também questionou a trajetória política de Flávio Bolsonaro e a falta de clareza sobre suas propostas para o país. “É uma pessoa que não se conhece, irrelevante como senador, irrelevante como político. Não sabemos quais são as suas ideias, nem quem lhe dá ideias”, afirmou.

As críticas ocorrem após Flávio Bolsonaro declarar que pretende “redemocratizar o país” e promover mudanças na Constituição caso seja eleito. Posteriormente, o candidato citou propostas de emendas constitucionais relacionadas à redução da maioridade penal, à reforma do Judiciário, à reforma política, a mudanças na reforma tributária e ao fim da reeleição presidencial.

Para Reale Júnior, a declaração do senador “não assusta, mas mostra ignorância” sobre o funcionamento das instituições. Ele também classificou como “pífios” os exemplos apresentados posteriormente pelo candidato e afirmou que as propostas não contribuem para melhorar o funcionamento da democracia.

Jurista diz não se arrepender do golpe contra Dilma

Apesar de declarar apoio a Lula, Reale Júnior afirmou que não se arrepende de ter participado do processo que levou ao golpe contra Dilma Rousseff, em 2016. Ele também rejeitou a existência de uma relação direta entre sua atuação naquele episódio e a ascensão da extrema-direita no Brasil. O pedido de impeachment foi elaborado por Reale Júnior, pelo jurista Hélio Bicudo e pela advogada Janaína Paschoal, atualmente vereadora na Câmara Municipal de São Paulo.

“Não há nenhum arrependimento. O PT teria se afundado muito mais se Dilma não tivesse sido afastada, porque nós estávamos numa recessão de -7% e ela fechou os olhos para corrupção na Petrobras e na Eletrobras”, afirmou.

Reale Júnior também foi o primeiro signatário de um pedido de impeachment de Jair Bolsonaro apresentado após a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid. Além disso, participou da elaboração do pedido de impeachment contra Fernando Collor.

Ao explicar por que apoia Lula agora, mesmo tendo atuado pelo afastamento de Dilma, o jurista afirmou que não vê contradição entre as duas posições. “Não é porque agora eu voto no Lula que estou arrependido de ter tirado a Dilma. Pelo contrário, é uma linha de coerência”, declarou.

 

Fonte : Brasil 247

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