Fenaban: só acumulando as demandas

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Três rodadas de negociações, uma extensa pauta apresentada pelo Comissão Nacional dos Bancários e, até agora, nenhuma proposta concreta da Fenaban. A mesa desta quinta-feira (16/07), em São Paulo, repetiu o mesmo roteiro. A Federação Nacional dos Bancos ouviu as reivindicações da categoria, mas seguiu sem apresentar respostas para problemas históricos que afetam milhares de trabalhadores.

O foco desta vez foi igualdade de oportunidades, combate às discriminações e endividamento. Enquanto os bancos gastam milhões em campanhas publicitárias sobre diversidade e inclusão, os números revelam uma realidade cruel nas agências e departamentos.

Apesar de não ter ficado nada decidido, a Fenaban admite contratar consultoria especializada para tratar dois assuntos: a adoção da jornada 4×3 e igualdade de oportunidade na questão salarial. Acena ainda para a possibilidade da criação de um canal de denúncias do cliente que praticar racismo, assédio sexual e outras formas de violência contra os funcionários, além de criar material informativo sobre tais crimes.

Levantamento do Dieese mostra que, entre 2020 e abril de 2026, cerca de 80% das 31,1 mil vagas eliminadas no sistema financeiro eram ocupadas por mulheres. A desigualdade também aparece nos salários. As bancárias recebem, em média, 18,4% menos do que os homens brancos na mesma função. Entre as mulheres negras, a diferença salarial chega a 34,2%.

A disparidade se repete nos cargos de liderança. Pessoas negras representam apenas 25,2% das posições de comando. Embora as mulheres ocupem quase metade desses cargos, elas recebem, em média, 26% menos do que os homens que exercem as mesmas funções.

Diante do cenário, a pauta apresentada pela Comissão Nacional cobra medidas efetivas para garantir igualdade de oportunidades, valorização profissionais e mecanismos de combate ao racismo, ao sexismo e à LGBTfobia.

Os bancários exigem ainda o cumprimento integral da Lei da Igualdade Salarial, metas de contratação para pessoas negras e trans, ampliação das oportunidades de ascensão profissional para grupos historicamente excluídos, fortalecimento da proteção às vítimas de violência doméstica e reserva de vagas para mulheres na área de tecnologia.

Para o Movimento Sindical as demandas são construídas com coerência, sensatez e dados. Mas, a Fenaban ignora. A ganância do sistema financeiro leva a população e a categoria prejuízos incalculáveis, como o fechamento de agências, demissões e transferência dos serviços para os clientes.

A pauta também inclui o combate ao crescente endividamento. Os bancários reivindicam isenção de tarifas bancárias e a limitação dos juros cobrados em operações como cheque especial, empréstimos e cartão de crédito a, no máximo, 0,5% ao mês. A próxima rodada de negociação acontece na terça-feira (21/07).

Fonte: Movimento Sindical

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