FENABAN OFERECE MIGALHAS ENQUANTO OS BANCOS LUCRAM COM A MAIS-VALIA PRODUZIDA PELOS BANCÁRIOS; DIVERGÊNCIAS NOS ESTADOS EXIGEM DEBATE COM A BASE
Como ocorreu em campanhas salariais anteriores, a FENABAN voltou a desrespeitar profundamente a categoria bancária. Esta é a avaliação da Diretoria do Sindicato diante de uma postura patronal marcada por enrolação, descaso e propostas insuficientes, que não reconhecem o papel central dos bancários e bancárias na produção da riqueza apropriada diariamente pelo sistema financeiro.
Segundo dados do Banco Central, o lucro dos bancos brasileiros em 2025 bateu recorde, alcançando R$ 255 bilhões. Somente no primeiro semestre de 2026, Bradesco, Itaú e Santander lucraram R$ 45 bilhões.
Ao comparar a lucratividade bilionária dos bancos com os salários praticados na categoria, cuja média fica entre R$ 3.000,00 e R$ 5.000,00, fica evidente a contradição central dessa relação: os trabalhadores produzem valor todos os dias, mas a maior parte dessa riqueza é apropriada pelos banqueiros sob a forma de lucro. Trata-se da velha lógica da exploração da força de trabalho, em que a mais-valia gerada pela categoria alimenta ganhos bilionários enquanto os salários seguem comprimidos.
A categoria trabalha o ano inteiro, vende sua força de trabalho, enfrenta péssimas condições laborais e sofre pressão diária para cumprir metas abusivas. Quando chega a data-base — momento em que deveria ser reconhecido o valor real do trabalho bancário — os banqueiros respondem com propostas rebaixadas, demonstrando que querem ampliar seus lucros às custas do arrocho salarial e do desgaste físico e psicológico dos trabalhadores.
Não há disposição real para ampliar benefícios, assegurar uma Participação nos Lucros e Resultados justa ou garantir salários compatíveis com a riqueza produzida pelos bancários e bancárias. Enquanto a categoria gera valor e sustenta o funcionamento do sistema financeiro, a FENABAN tenta devolver aos trabalhadores apenas uma pequena fração daquilo que eles próprios produzem.
Os banqueiros tratam a categoria não como trabalhadores e trabalhadoras essenciais, mas como mão de obra descartável, submetida a cobranças cada vez maiores, metas abusivas, adoecimento e reconhecimento cada vez menor. Essa lógica revela a face mais cruel do sistema financeiro: extrair o máximo da força de trabalho e repartir o mínimo com quem produz a riqueza.
Se nas reivindicações econômicas e sociais os banqueiros afrontam a dignidade da categoria, a perversidade se torna ainda mais cruel diante do fechamento alarmante de agências bancárias e das demissões de pais e mães de família que são colocados na rua.
O adoecimento da categoria nunca foi tão alarmante. A pressão para atingir metas abusivas, o número cada vez menor de bancários nas unidades e o empobrecimento dos trabalhadores são problemas centrais que não podem ser ignorados em uma Campanha Salarial.
A FENABAN demonstrou, de forma enfática, nesta e em campanhas salariais anteriores, que sua principal preocupação é ampliar a lucratividade dos bancos, ainda que isso signifique aprofundar a exploração, intensificar a extração da mais-valia e deixar bancários e bancárias à míngua.
Se, no tocante às reivindicações da categoria, a FENABAN se mostra indiferente, no que diz respeito à organização sindical o ataque é ainda mais brutal. A chamada Convenção Coletiva de autorregulação sindical representa um ataque direto à livre organização da categoria bancária. Neste ano, a FENABAN investe de forma feroz para fragilizar as entidades representativas da categoria. Quando o patrão pretende determinar como deve funcionar um sindicato, quantos dirigentes a categoria pode eleger e quais representantes terão estabilidade no emprego, já não se pode falar em liberdade sindical. Não há liberdade quando o lado mais forte da relação tenta impor sua vontade ao elo mais fraco da corrente.
Foram 13 rodadas de negociação entre as confederações que representam a categoria. A última rodada durou mais de 10 horas e, ao final, a FENABAN ousou apresentar uma proposta vergonhosa: reposição da inflação mais apenas 0,6% de aumento real para os anos de 2026 e 2027. Diante dos lucros bilionários dos bancos, essa proposta representa uma afronta à categoria e uma tentativa de manter os trabalhadores recebendo muito menos do que a riqueza que produzem.
Nas negociações específicas dos bancos federais, também fica evidente que havia espaço para avanços mais consistentes. No caso da Caixa Econômica Federal, não pode haver dúvida: não será aceitável a renovação do Acordo Coletivo sem uma proposta decente para o Saúde Caixa, que preserve os salários dos empregados e não transfira para eles o custo de um benefício essencial.
É importante registrar nossa crítica à condução da negociação por parte dos representantes na mesa. Em diversos estados, já se expressam divergências legítimas sobre o conteúdo, o alcance e o encaminhamento da proposta apresentada pela FENABAN, o que reforça a necessidade de transparência, consulta às bases e respeito à soberania da categoria. Em nenhum momento os bancários e bancárias foram chamados a discutir, de forma organizada, a radicalização do movimento ou a possibilidade de deflagração de greve. Não se construiu, nos últimos meses, um processo real de mobilização. Faltaram orientação política, estratégia negocial e diálogo efetivo com as bases, como também ocorreu em campanhas salariais anteriores. A categoria poderia até não aprovar a greve, mas é inadmissível que aqueles que estavam à mesa não tenham sequer consultado os trabalhadores sobre essa alternativa. A Convenção Coletiva é da categoria bancária, e não apenas daqueles que conduzem a negociação. É a força de trabalho de milhares de bancários e bancárias que produz riqueza, gera mais-valia e precisa ser valorizada; por isso, cabe à própria categoria decidir, de forma soberana, o que considera justo e quais instrumentos de luta está disposta a utilizar.
A Diretoria do Sindicato reuniu-se na segunda-feira com a direção da Federação dos Bancários e com sindicatos filiados para debater os rumos da campanha. O que se constatou é que, neste momento, sequer é possível convocar assembleia deliberativa, pois a Confederação ainda não encaminhou a íntegra da contraproposta da FENABAN, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. Não se pode votar, seja pela rejeição ou pela aceitação, uma proposta que não foi apresentada integralmente às direções sindicais para análise e posterior debate com suas bases, especialmente diante das avaliações distintas que vêm sendo feitas nos estados. O Sindicato não irá assinar um cheque em branco!
Diante disso, a Federação irá reunir-se com a CONTEC e, em seguida, promover nova reunião com os sindicatos, de modo que as divergências sejam enfrentadas politicamente, com unidade, transparência e compromisso com a vontade da categoria.
Cabe aqui uma observação fundamental: não dá para a categoria continuar refém da data-base. Temos insistido que uma exigência indispensável para o início das negociações deve ser a assinatura de um protocolo prévio que assegure a manutenção da Convenção Coletiva até a assinatura de um novo instrumento coletivo.
Reafirmamos que a categoria continua em Estado de Greve. O Sindicato deverá convocar assembleia para que bancários e bancárias debatam coletivamente os próximos passos da Campanha Salarial, com pleno conhecimento da proposta integral e das posições em disputa nos estados. Somente com organização, unidade construída pela base e disposição de luta será possível enfrentar a ganância dos banqueiros, defender a Convenção Coletiva e exigir que parte da riqueza produzida pela categoria retorne em forma de salários dignos, direitos, saúde e melhores condições de trabalho.
1º de Setembro: Data Base da Categoria Bancária
“Os banqueiros não mandam flores”
Fonte: SBPNR