Quando se fala em privatização, é comum que o debate fique restrito a números. Lucro, rentabilidade, preço de venda, eficiência e por aí vai. Mas, antes de qualquer análise financeira é fundamental saber a diferença entre uma empresa pública e outra privada.
A resposta aparece no cotidiano dos trabalhadores e na vida de milhões de brasileiros. Banco do Brasil e Caixa, por serem controlados pelo Estado, podem cumprir funções que extrapolam a rentabilidade imediata de uma operação. Financiam políticas públicas essenciais para o desenvolvimento e o combate às desigualdades sociais.
Também mantêm relações de trabalho construídas ao longo de décadas de negociação coletiva. É exatamente aí que o público faz diferença. Nos bancos privados, redução de custos, fechamento de estruturas, reorganizações internas e cortes de pessoal fazem parte permanentemente da estratégia empresarial.
Nos bancos públicos também existem pressão por metas e problemas de gestão, mas há limites institucionais, políticos, jurídicos e coletivos que alteram a relação. Não é uma blindagem absoluta. Mas, sim, uma proteção diferente. A campanha salarial deste ano e a greve dos empregados da Caixa são um exemplo.
E para quem trabalha?
Quando uma empresa muda de controle público para privado, não altera apenas o CNPJ. Muda o ambiente no qual se negociam relações de trabalho. Não significa que bancários de empresas privadas não possuam direitos, capacidade de mobilização ou instrumentos de negociação. A Convenção Coletiva de Trabalho da categoria é justamente prova do contrário.
A diferença aparece na forma de ingresso. O concurso público impõe critérios impessoais para contratação. E decisão do STF estabeleceu que, depois de contratado dessa forma, o empregado não pode simplesmente ser dispensado sem que a empresa apresente formalmente uma razão. É uma relação diferente daquela existente na maior parte do setor privado.
Fonte: Movimento Sindical