CAMPANHA SALARIAL, CAIXA PÚBLICA E ELEIÇÕES: A CATEGORIA NÃO PODE SE CALAR

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O julgamento do dissídio coletivo dos empregados da Caixa Econômica Federal confirmou uma conquista arrancada pela luta: a manutenção de direitos construídos ao longo de décadas de organização da categoria. No caso do Saúde Caixa, o Tribunal Superior do Trabalho preservou as normas existentes e garantiu reajuste vinculado às verbas salariais.

Foi uma vitória possível, mas limitada diante das expectativas da categoria. Quem conhece a história sabe que nada veio de graça: greves julgadas abusivas, interditos proibitórios, ameaças de demissão e descomissionamentos marcaram a trajetória dos bancários. Cada cláusula mantida é fruto de resistência coletiva.

Se o resultado jurídico não atendeu plenamente às reivindicações, a mobilização da base superou expectativas. A categoria aderiu massisamente ao movimento paredista, recusou propostas insuficientes e mostrou que não aceita negociar direitos de cabeça baixa. Essa força exige avaliação séria sobre acertos, erros, limites e responsabilidades.

Não se trata de apontar culpados, mas de fortalecer a democracia sindical. A base precisa ser ouvida antes, durante e depois da negociação. Unidade se constrói com participação real, transparência e disposição de enfrentamento.

A campanha salarial em ano eleitoral mostrou seus limites. Nos bancos públicos federais, discutir reajuste, aumento real, Saúde Caixa e novas conquistas esbarra nas travas da legislação eleitoral. Por isso, o atual formato de negociação precisa ser revisto, com calendário antecipado, estratégia clara e mobilização organizada desde o início.

Também é necessário reconhecer que a mesa de negociação não captou plenamente o sentimento que crescia nos locais de trabalho. Ao mesmo tempo, a comunicação sobre os limites e riscos do processo negocial  podia ter sido melhor.  Essa avaliação política e organizativa não pode ser adiada: a próxima campanha começa agora.

O Sindicato representa a categoria, mas a última palavra deve ser da base. É nos locais de trabalho que os ataques são sentidos, que a pressão acontece e que a luta ganha corpo. Sem base organizada, não há conquista duradoura.

Não é aceitável atravessar sucessivas rodadas de negociação sem respostas à altura das reivindicações. É preciso estabelecer prazos, endurecer quando necessário e impedir que a pauta dos trabalhadores seja empurrada para o limite da data-base ou comprimida pelo calendário institucional.

Se a negociação continuar coincidindo com eleições, a campanha salarial deve ser antecipada. A categoria não pode chegar a setembro refém de impasses justamente quando o país debate o futuro dos bancos públicos, dos direitos sociais e da democracia.

A dimensão eleitoral é parte da luta sindical. O bancário da Caixa não é apenas executor de tarefas: é agente público no cotidiano da população. Está presente no crédito, na habitação, no saneamento, nas loterias, nos programas sociais e no desenvolvimento regional. Por isso, sua responsabilidade na campanha eleitoral vai além do voto. Cabe ao bancário disputar consciência, dialogar com a sociedade, defender a Caixa pública e cobrar dos candidatos compromisso com bancos públicos fortes, valorização dos empregados, direitos sociais e soberania nacional.

A tarefa agora é transformar indignação em organização e organização em força política. A luta salarial, a defesa da Caixa pública e o processo eleitoral fazem parte da mesma disputa: escolher de que lado estamos, que projeto de país defendemos e qual papel os trabalhadores terão na construção de uma sociedade democrática, soberana e socialmente justa.

“Um mais um é sempre mais que dois.”

Fonte: SBPNR

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