Você está na lista da Forbes? Então pare de atacar taxação de super-rico

Você está na lista da Forbes? Então pare de atacar taxação de super-rico

Leonardo Sakamoto

Apesar da queda nas ações da Tesla como protesto diante de suas polêmicas, como gestos tidos como nazistas, Elon Musk permanece como a pessoa mais rica do mundo, com US$ 342 bilhões, segundo a lista da Forbes divulgada nesta terça (1). Para os que sofrem da patologia de sentir prazer com a fortuna alheia, a informação é um orgasmo.

No Brasil, a lista traz Eduardo Saverin (US$ 34,5 bilhões), Vicky Safra (US$ 20,7 bilhões), Jorge Paulo Lemann (US$ 17 bilhões), David Velez (US$ 10,7 bilhões), Carlos Alberto Sicupira (US$ 7,6 bilhões), André Esteves (US$ 6,9 bilhões), Fernando Moreira Salles (US$ 6,5 bilhões), Miguel Krigsner (US$ 6,1 bilhões), Pedro Moreira Salles (US$ 6,1 bilhões) e Alexandre Behring (US$ 5,7 bilhões) entre os dez primeiros.

Seu nome está na lista? A esmagadora maioria provavelmente dirá que não. Tampouco entre os 55 brasileiros com um bilhão de dólares ou mais. Ou mesmo entre as 141,4 mil almas que ganham mais de R$ 600 mil por ano.

A lista anual de bilionários brasileiros é um lembrete de que a discussão de leis para taxar os super-ricos, que pagam relativamente menos imposto do que alguém que ganha três salários mínimos, é urgente e imprescindível. Ainda mais em um país com níveis obscenos de desigualdade social.

A ideia é simples: a galera que ganha mais de R$ 50 mil por mês e não paga pelo menos 10% de imposto, vai começar a ser cobrada progressivamente se o projeto de lei passar. Quem já paga imposto igual ou superior a isso não vai precisar pagar mais. Isso ajuda a compensar a isenção de quem ganha até R$ 5.000 por mês. Claro que é difícil pacas o projeto sobre os super-ricos passar, pois significaria que parlamentares toparão taxar a si mesmos e à sua classe social.

Sempre que a Forbes atualiza a sua lista e alguém sugere que o pessoal do andar de cima precisa contribuir progressivamente mais em relação à sua renda, os bilionários são defendidos por membros da classe trabalhadora que não se veem como tais e que vão às últimas consequências para proteger os privilégios dos outros.

Como já disse aqui antes, esses acreditam que estão fazendo justiça ao defender a injustiça tributária. Projetam-se nos mais ricos e, sonhando um dia chegar lá, desejam que a condição da elite econômica seja mantida para, quem sabe, também poderem dela usufruir. Não se importam com as consequências negativas da desigualdade na estrutura social, contanto que sua chance de um em um milhão de fazer parte do topo da pirâmide seja mantida.

Caem no conversê fácil de que, ao taxar ricos acionistas de empresas, o país abre espaço para taxar empreendedores, ignorando que alguém que ganha três salários mínimos já paga proporcionalmente mais imposto do que alguém que ganha 33. Dizem que ao serem menos taxados, os ricos abrem mais empregos, mesmo que o destino de muito dividendos seja acúmulo e luxo. Compram a ideia de um Estado mínimo e, ao mesmo tempo, e contraditoriamente, demandam melhor educação, saúde, segurança, opções de cultura e lazer e transporte públicos e gratuitos.

Seremos um país civilizado quando sentirmos prazer diante de uma sociedade menos desigual, na qual as pessoas são vistas pelo poder público e por seus vizinhos como detentoras dos mesmos direitos independentemente de quanto tenham na conta. Até lá, aqui seguirá sendo um paraíso para quem goza com a fortuna dos outros.

Fonte: UOL

 

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