PEC do Emprego deve ir ao plenário do Senado ainda este ano, diz autor da proposta

PEC do Emprego deve ir ao plenário do Senado ainda este ano, diz autor da proposta

Texto prevê substituir a contribuição previdenciária sobre a folha por cobrança sobre o faturamento bruto das empresas.

O autor da PEC do Emprego, senador Laércio Oliveira (PP-PE), disse nesta terça-feira (5) que existe uma “disposição” do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em levar o projeto ao plenário ainda neste ano.

A proposta está em análise na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Casa. O parlamentar entende que a “simplicidade” da pauta facilitará a aprovação ainda este ano e acredita que as mudanças promovidas pela PEC entrem em vigor já em 2027.

A PEC do Emprego busca a desoneração da folha de pagamento para todas as empresas do país. O texto prevê a substituição da contribuição previdenciária patronal de 20% sobre a folha de pagamentos por uma nova cobrança sobre o faturamento bruto das empresas, com alíquota máxima de 1,4%.

O objetivo é reduzir custos da contratação formal para empregadores, estimular a geração de empregos e garantir sustentabilidade ao sistema previdenciário.

“A gente espera tramitar com essa PEC [no Senado] até o final do primeiro semestre”, comentou o senador. “Na CCJ, o relator já está construindo esse entendimento para que a gente avance com essa PEC o mais rápido possível, pela simplicidade dela″, disse Laércio.

A fala foi feita durante um seminário sobre a PEC do Emprego, organizado pela FPE (Frente Parlamentar do Empreendedorismo). Na ocasião, deputados e senadores discutiram os impactos da pauta para o setor produtivo.

Na avaliação de Laércio, ao estabelecer a lógica de que “quem emprega mais paga menos imposto”, a PEC incentiva a contratação de pessoas.

“A PEC busca a empregabilidade. Ou seja, quem emprega mais, paga menos imposto. Quem emprega menos, vai pagar mais impostos. O que a gente se propõe a fazer com isso? A gente, na verdade, está ajudando a salvar a Previdência, porque empresas que têm alta tecnologia contribuem pouco para a Previdência Social. A gente está fazendo essa correção. Como todo projeto, uns setores pagam menos, e outros pagam mais. Mas isso está dentro do bojo da PEC.”

PEC do Emprego x PEC da escala 6x1
As discussões sobre a PEC do Emprego no Senado acontecem em paralelo à análise de uma PEC na Câmara dos Deputados que prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de trabalho. As propostas, contudo, apesar de tratarem sobre emprego, não têm relação entre si.

Enquanto a PEC do Emprego foca na redução de custos para estimular a contratação, a PEC 6x1 foca na regulamentação de escalas de trabalho e redução de jornada.

Ao comentar sobre a PEC do Emprego, o presidente da FPE, deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), afirmou que as discussões sobre a matéria envolvem, principalmente, segurança jurídica e previsibilidade.

“O mundo não fala em escala. Escala de trabalho não é a mesma coisa que jornada de trabalho. Então, a discussão sobre jornada é muito mais eficaz, é muito mais certa para a gente trabalhar com quem empreende, mas nós vamos ter que abrir a discussão para todos os temas”, disse.

Segundo Passarinho, é necessário que, além da escala, seja discutido o aumento de custo das empresas. “Se a gente aproveitar essa PEC e fizer uma pequena reforma trabalhista 2.0, acho que é uma grande vantagem para o Brasil todo”, disse.

O evento contou com a participação de parlamentares, especialistas e representantes do setor produtivo. Entre os nomes presentes estavam o deputado Joaquim Passarinho, o senador Laércio Oliveira e o deputado Zé Neto (PT-BA), além de economistas e juristas com atuação nas áreas trabalhista e tributária.

Fim da escala 6x1
A proposta que trata da escala 6x1 em discussão na Câmara prevê redução da jornada de trabalho, com garantia de duas folgas semanais sem prejuízo de salário a trabalhadores. Na prática, o modelo acaba com a rotina de um dia de descanso a cada seis dias trabalhados.

A PEC está em análise de uma comissão especial, que vai debater qual deve ser a nova carga máxima de trabalho por semana. A proposta reduz a jornada de 44 horas para 36 horas semanais, mas o governo defende um limite de 40 horas de trabalho por semana.

A discussão sobre o tema tem provocado reação de setores produtivos, mas o governo afirma que há benefícios a donos de empresas, como o aumento da produtividade.

Estimativas do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que 37,2 milhões de trabalhadores enfrentam jornadas de 44 horas por semana, enquanto 26,3 milhões não recebem horas extras. Além disso, a jornada no modelo 6x1 alcança 14,8 milhões de pessoas, segundo a pasta, sendo 1,4 milhão de empregadas domésticas.

Fonte: R7

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