Falta concorrência no Brasil, diz economista sobre lucro de Bancos

A falta de concorrência entre os bancos no Brasil ajuda a explicar os bons resultados apresentados pelo Itaú Unibanco e o Santander, opinou o economista Teco Medina (Formado em finanças pela insper, trabalha há 16 anos mercado financeiro)
"São empresas bem administradas, bem geridas, são empresas que têm tecnologia, mas é quase um mini-oligopólio ali. Você imagina que são 200 milhões de brasileiros para cinco bancos. Então, sim, acho que uma das razões para explicar esses lucros muito fortes dos bancos é a falta de concorrência. A gente tem muito pouco banco para a quantidade de brasileiros que utiliza o tempo todo. O desenho do sistema bancário brasileiro é altamente concentrador."
Teco Medina, economista
Nesta quarta, o Itaú Unibanco (ITUB4) —tido como uma das maiores instituições bancárias do Brasil— anunciou o lucro líquido recorrente de R$ 41,4 bilhões em 2024, uma expansão de 16,2% sobre os ganhos do ano anterior. É considerado o maior lucro na história de um banco brasileiro. O Itaú anunciou ainda o pagamento de R$ 15 bilhões em dividendos e juros sobre o capital próprio (JCP) extraordinários.
Já o Santander Brasil (SAN11) registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,855 bilhões no quarto trimestre de 2024, alta de 74,9% no comparativo anual, enquanto na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, a variação foi positiva em 5,2%.
"Se a gente certamente tivesse um número de bancos parecido com os Estados Unidos, por exemplo, esse lucro seria dividido com mais empresas. O Banco Central tem tentado colocar concorrência nesse setor há algum tempo. A gente vê, por exemplo, o surgimento de fintechs, como o Nubank e o Inter, mas vamos demorar ainda para vê-los bater de frente com os grandes bancos."
Teco Medina, economista
Em 2020, os cinco maiores bancos do Brasil concentraram mais de 80% dos empréstimos em todo o país, segundo Relatório de Economia Bancária divulgado pelo BC (Banco Central). De cada R$ 10 emprestados, R$ 8,18 eram financiados pela Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Caixa Econômica Federal.
O setor, no entanto, tem visto o surgimento das chamadas fintechs —empresas que introduzem inovações nos mercados financeiros por meio do uso de tecnologia—, como o Nubank, C6, Inter e Pagbank, entre outros.
Em maio, o Nubank fechou o pregão como a instituição financeira brasileira mais valiosa pela primeira vez. Na ocasião, o banco digital foi avaliado em R$ 299,2 bilhões. O Itaú valia R$ 288,6 bilhões naquele momento. O Nubank também ultrapassou o Itaú em número de clientes em outubro. Foram 100,7 milhões contra 98,5 milhões do Itaú, segundo o Banco Central.
Juros altos têm relação com lucro recorde, diz jornalista
No UOL News, a jornalista Denyse Godoy, editora-chefe de economia do UOL, afirmou que os juros altos e a eficiência explicam o lucro recorde dos bancos Itaú Unibanco e Santander Brasil.
"Quem estabelece os juros básicos do país é o governo. Neste caso, a taxa de 13,25%. O negócio do banco é pegar esse dinheiro emprestado de alguém —muitas vezes, grande proporção é do próprio correntista. Se você investe no banco, você investe num CDB, ou numa outra aplicação qualquer. Então, o banco vai pagar juros e aí ele 'pega' esse dinheiro para emprestar a outros clientes que pegam crédito."
"Aí você pode argumentar, e essa é uma crítica muito forte, sobre a diferença. Seria essa a diferença, que é o spread bancário [a diferença entre os juros que o banco cobra ao emprestar e a taxa que ele mesmo paga ao captar dinheiro], não seria muito elevado? É uma discussão permanente."
Denyse Godoy, editora-chefe de economia do UOL
No fim de janeiro, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu aumentar a Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, em 1 ponto percentual, para 13,25% ao ano, seu nível mais alto desde agosto de 2023. O aumento da Selic é uma tentativa de conter a inflação no País. A alta encarece principalmente o crédito e os serviços financeiros. Ou seja, fica mais caro o custo dos empréstimos pessoais e para empresas, dos financiamentos imobiliários e para a compra de veículos.
Bancos na lista de marcas mais valiosas
Itaú, Banco do Brasil e Bradesco entraram para a lista de marcas mais valiosas da América Latina, segundo levantamento feito pela consultoria britânica Brand Finance. Apesar disso, o Itaú perdeu a posição de número 1 para a cerveja Corona Extra, do grupo AB Inbev.
O banco brasileiro teve um declínio de marca de 4,4%, passando para US$ 8,4 bilhões.
Fonte: UOL