Movimento Sindical exige suspensão das demissões e do fechamento de agências

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Na segunda rodada de negociações da Campanha Nacional dos Bancários, realizada nesta terça-feira (7), o movimento sindical apresentou aos bancos dados sólidos de que o setor está na contramão do mercado de trabalho. Entre 2015 e maio de 2026, os bancos reduziram em 93,3 mil os postos de trabalho. No mesmo período, o setor reduziu em 42% (9,5 mil) a rede de agências, o que representa 30 agências por semana.

Os cinco maiores bancos estão promovendo uma acelerada redução de seus quadros de funcionários. Em apenas um ano, o Santander eliminou 6,1 mil postos de trabalho, o Itaú extinguiu 4,6 mil vagas, o Bradesco reduziu 3 mil empregos e o Banco do Brasil cortou outros 1,4 mil postos. Os números evidenciam um processo de demissões em massa, que impacta não apenas os trabalhadores, mas também a qualidade do atendimento à população. Além de representar um ataque aos direitos dos trabalhadores, essa prática compromete o acesso da sociedade aos serviços bancários.

No mesmo período, o setor reduziu em 42% (9,5 mil) a rede de agências. Esses dados apontam para uma diferença muito grande do que está acontecendo no setor bancário em relação ao que estamos vivendo no Brasil que, desde o início do governo Lula (2023), gerou 5,17 milhões de empregos formais, batendo recorde nos níveis de carteira assinada, com a baixa histórica das taxas de desocupação, do IBGE. Os números de postos fechados demonstram que Santander, Itaú e Bradesco fizeram demissão em massa o que, no entendimento da Justiça, não pode acontecer sem negociação prévia.

A eliminação de postos de trabalho e de agências ocorre enquanto os bancos seguem batendo recordes de lucro. Só em 2025, os cinco maiores bancos do país registraram lucro líquido de R$ 124 bilhões.

Os representantes dos trabalhadores apontaram também que o aumento de contratos dos bancos com correspondentes bancários foi de 49%, entre 2015 e 2025.

A grande questão, portanto, é que o trabalho bancário não está sendo eliminado, na verdade está sendo transferido para os correspondentes bancários e outros segmentos do ramo financeiro. Estão fechando as agências para transferir o atendimento presencial para os correspondentes. Esse movimento também abre espaço para as cooperativas de crédito, que estão cada vez mais presentes nas áreas abandonadas pelos bancos.

Diante desse cenário, a Comissão dos Bancários exigiu, como prova de boa-fé, que os bancos suspendam as demissões e o fechamento de agências, durante as negociações.

A Fenaban, porém, negou os pedidos. Essa resposta não paralisará o movimento. A Comissão dos Trabalhadores continuará cobrando e acompanhando, em todo o país, os casos de demissões e fechamentos de agências, para não permitir que continuem acontecendo.

Demissões em massa prejudicam mais mulheres

25,5 mil (79%) do total de postos eliminados no período de 2020 a maio de 2026 eram mulheres.

De 2024 para 2025, a participação de mulheres na categoria caiu de 49% para menos de 47%. Esses números mostram que uma parte importante dos  esforços na mesa de Igualdade de Oportunidades está sendo inviabilizado pelas demissões em massa. Mostram também que os bancos estão concentrando cada vez mais os ganhos de produtividade obtidos com a tecnologia, e não cumprindo com a responsabilidade social de dividir esses ganhos com a população e com os trabalhadores.

Como sugestão para conter a queda de mulheres no setor, o movimento sindical pediu a estabilidade de emprego às mulheres vítimas de violência doméstica e também o fortalecimento das ações de qualificação e requalificação de mulheres em tecnologia da informação (TI), conquistadas na Campanha Nacional Unificada de 2024.

Fim das terceirizações e retorno das homologações nos sindicatos

A reivindicação pelo fim das terceirizações- Quem faz atividade bancária deve ser reconhecido como bancário, com todos os direitos da categoria.

Os representantes dos trabalhadores exigiram ainda o retorno das homologações nas entidades sindicais, como proteção aos trabalhadores.

Outras exigências foram:

  • Indenização adicional em caso de demissão; e
  • Criação de um banco de talentos bancários.

Devolutivas

Ao final da mesa, os representantes da Fenaban negaram:

  • O fim das demissões e do fechamento de agências.
  • O pedido de estabilidade para toda a categoria durante o processo negocial, bem como às mulheres vítimas de violência doméstica.
  • O pedido de indenização adicional em caso de demissão.

E ficaram de avaliar:

  • O retorno das homologações nos sindicatos.
  • Reforço e ampliação das cláusulas de qualificação e requalificação de trabalhadores na área de TI.
  • Criação de um banco de talentos bancários.

As próximas mesas estão agendadas para os dias 16 de julho (igualdade de oportunidades, endividamento e monitoramento), 21 de julho (saúde e condições de trabalho) e 30 de julho (remuneração e clausulas econômicas).

Fonte: Movimento Sindical

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