Santa Catarina: juíza que nega aborto, Bolsonaro na frente, véio da Havan e neonazismo

O belo estado de Santa Catarina foi parar, na manhã desta terça-feira (21), entre os assuntos mais comentados do Twitter. E não foi por nada abonador, muito ao contrário. Internautas decepcionados afirmavam que o caso da juíza Joana Ribeiro Zimmer, que tentou induzir uma menina de 11 anos, grávida após ser estuprada a não fazer aborto, só poderia mesmo ter acontecido no estado.

Os internautas, infelizmente, não deixam de ter razão. A despeito de alguns políticos progressistas, o estado é reconhecido pela imprensa e especialistas como um dos mais, senão o mais bolsonarista do país.

Paraná Pesquisas

Levantamento do instituto Paraná Pesquisa, divulgado na semana passada, aponta que o presidente Jair Bolsonaro (PL) lidera as intenções de voto em Santa Catarina com 45,1% seguido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 29%, no cenário estimulado da pesquisa. Uma realidade inversa do que ocorre em praticamento todo o país.

Neonazistas

Em janeiro deste ano, reportagem do Fantástico, da Rede Globo, mostrava levantamento da antropóloga Adriana Dias que apontava: número de grupos neonazistas em Santa Catarina cresceu 158% em 18 meses.

Véio da Havan

Para além disso, um dos personagens mais caricatos da política do estado e do Brasil, o empresário bolsonarista Luciano Hang, conhecido como Véio da Havan, é mais um claro indício da guinada à direita no estado.

Uma breve busca em seu nome nas redes basta para mostrar o derrame de pautas ultraconservadoras defendidas por Hang, que chegou a chamar o Padre Julio Lancellotti, da Pastoral do Povo da Rua de São Paulo, de “bandido”: “É da turma do Lula. Hipocrisia pura. Temos que ensinar a pescar, e não dar o peixe. Cada dia que passa é mais malandro vivendo nas costas de quem trabalha”, acrescentando: “Quem defende bandido, bandido é”, escreveu Hang.

Jorginho Mello

Na lista interminável de personagens da extrema-direita catarinense está o senador Jorginho Mello (PL), citado pelo delegado Alexandre Saraiva, da Polícia Federal, que, em entrevista à GloboNews, na semana passada, sobre o desaparecimento do indigenista Bruno Ferreira e do jornalista inglês Don Philips, o incluiu em uma lista de parlamentares que considera “bandidos” e “marginais” por supostamente apoiarem atividades ilegais na Amazônia.

“Esses criminosos têm boa parte dos políticos da região norte no bolso, eu estou falando de governadores, senadores”, disse Saraiva no programa, citando políticos do Centrão, entre eles Jorginho Mello.

O caso da Juíza

O caso da juíza Joana Ribeiro Zimmer, que chocou o país nesta segunda-feira, após ser publicado pelos sites The Intercept e Catarinas, escancarou a onda fascista que vive o estado. Apesar do Código Penal permitir o aborto em caso de violência sexual, sem impor qualquer limitação de semanas da gravidez e sem exigir autorização judicial, a promotora Mirela Dutra Alberton, do Ministério Público de Santa Catarina, ajuizou uma ação cautelar pedindo o acolhimento institucional de uma menina de 11 anos, grávida após sofrer um estupro, onde deveria “permanecer até verificar-se que não se encontra mais em situação de risco [de violência sexual] e possa retornar para a família natural”.

A juíza Joana Ribeiro Zimmer concedeu medida protetiva em que compara a proteção da saúde da menina à proteção do feto. A conversa da juíza com a menina durante audiência em insiste para que ela mantenha a gravidez: “Você suportaria ficar mais um pouquinho?” é um dos episódios mais aterradores da pouco abonadora história da Justiça brasileira.

Um horror sem precedentes que, como comentou um internauta, “só poderia ter acontecido em Santa Catarina”. Uma realidade circunstancial que merece ser observada e transformada.

Fonte: Revista Fórum