Risco de calote da Sete Brasil derrubou lucro da Caixa Econômica Federal

Caixa 2-grandejpgA Caixa atribuiu a queda de 46% no lucro do primeiro trimestre, principalmente, a uma provisão de cerca de R$ 700 milhões para cobrir o risco de calote da Sete Brasil, empresa criada para fornecer sondas para exploração do pré-sal.

O lucro do banco estatal encolheu 46% no primeiro trimestre de 2016 em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 838 milhões. A instituição financeira divulgou nesta segunda-feira (9) o balanço do período.

A Caixa diz que se antecipou à necessidade de separar os recursos para cobrir uma possível perda na tentativa de recuperar os recursos emprestados. A Sete Brasil entrou em recuperação judicial no final de abril, após o fechamento do balanço do trimestre.

No total, a provisão contra inadimplência da Caixa cresceu 22% em relação ao primeiro trimestre de 2015. O banco prevê que terá de continuar a elevar suas reservas contra calotes nos próximos meses, mas afirma que já colocou restrições suficientes ao crédito para fazer com que a inadimplência, hoje em 3,51%, não supere o limite de 3,86% fixado pelo banco. No final de 2015, a inadimplência total estava em 3,55%.

“A gente conseguiu manter e até diminuir um pouco o índice de inadimplência mirando o crédito futuro e revendo regras de cobrança, criando produtos adequados”, afirmou Fabio Soares da Silva, vice-presidente de Risco da Caixa.

A inadimplência no crédito ao consumo das pessoas físicas subiu de 5,81% para 6,42% nos últimos 12 meses, mas caiu em relação aos mais de 7% do final de 2015, em parte, devido à venda de carteiras de crédito com prestações em atraso, parte delas já baixadas a prejuízo.

Nos segmentos de empresas e habitação, os atrasos continuaram subindo, para níveis recordes desde o boom de crédito dos bancos públicos iniciado após a crise de 2008.

O banco já cortou, por exemplo, em 24% a oferta de crédito a empresas de menor porte, responsável pelo aumento dos atrasos de 5,97% para 6,81% somente entre o final de 2015 e março de 2016.

A carteira de crédito da Caixa cresceu 9,2% em 12 meses, pouco abaixo da inflação de 9,4% do período. A estimativa é fechar o ano entre 7% e 7,5%. O aumento foi de 9,8% na habitação, 5,8% nas demais operações com pessoas físicas e 0,1% com as empresas.

O banco também vai manter sua política de redução de custos com pessoal, por meio de planos de demissão e de incentivo à aposentadoria. Nos últimos 12 meses, o banco reduziu o número de funcionários de 100,3 mil para 97,0 mil. A despesa com pessoal cresceu 1,6% no período, bem abaixo da inflação.

ESQUELETOS
A Caixa disse ainda que não precisa de recursos para cobrir buracos em seu balanço e que possui capital suficiente para garantir a expansão de suas operações de crédito neste e, provavelmente, no próximo ano.

“Uma coisa é capitalização em função dos negócios. A Caixa não tem esqueletos e não precisa de capitalização para resolver buracos na sua contabilidade. Não existe isso”, afirmou o vice-presidente de Finanças da Caixa, Márcio Percival.

“Se precisar de alguma coisa [para ampliação de crédito], talvez seja em 2017, mas o banco tem alternativas que podem ser trabalhadas”, afirmou Percival. Ele citou a possibilidade de pagar menos dividendos ao Tesouro Nacional, por exemplo.

Segundo Percival, a Caixa tem recursos para uma expansão do crédito entre R$ 130 bilhões e R$ 150 bilhões e prevê utilizar R$ 50 bilhões dessa margem em 2016.
O vice-presidente disse ainda que o banco está menos vulnerável em relação aos riscos de crédito gerados pela Operação Lava Jato que outras grandes instituições.

IMOBILIÁRIO
O vice-presidente de Habitação do banco estatal, Nelson Antonio de Souza, afirmou que o banco prevê um crescimento entre 9% e 12% do crédito imobiliário neste ano, apesar da queda na captação da poupança, uma das fontes de recursos para esses empréstimos.
O banco conta, por exemplo, com recursos adicionais liberados pelo Conselho do Fundo de Garantia (FGTS) em fevereiro deste ano.

“Não estamos com problema de ‘funding’ neste momento. Não faltam recursos”, afirmou.

Fonte: Folha.com

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