Os melhores e piores bancos para cair no cheque especial

Tarifa de chque especialAo ficar com o saldo negativo e cair no cheque especial, os correntistas podem pagar juros que variam entre 11,76% e 15,21% ao mês nos maiores bancos do país, segundo dados do Banco Central (BC).

Isso significa que ao contrair uma dívida no cheque especial, de 2 mil reais, no banco com os menores juros médios, o Banco do Brasil, após um ano o cliente paga 7.593,93 reais; já no banco com juros mais altos, o Santander, a mesma dívida salta para 10.937,35 reais em um ano, um valor 3.480 reais maior, ou 44% mais caro.

Os dados foram retirados do site do BC, que divulga as taxas efetivamente praticadas em diversas operações de crédito pelas principais instituições financeiras do país. Os valores finais dos empréstimos foram calculados na ferramenta Calculadora do Cidadão, também do BC.

Juros em alta 
Os juros do cheque especial sempre estiveram entre os mais altos do mercado, mas recentemente têm sido especialmente exorbitantes. Segundo a pesquisa mensal de juros do Banco Central, em março os juros médios do cheque especial atingiram 300,8% ao ano, a maior taxa desde julho de 1994, início da série histórica da pesquisa.

Como o cheque especial não tem garantias, os bancos cobram juros altíssimos na linha. Além disso, como o crédito é concedido automaticamente, as instituições aproveitam para lucrar mais com a operação, já que muitos clientes entram no cheque especial sem nem perceber.

Para usar o cheque especial, o correntista não precisa pedir autorização ao banco, basta fazer um pagamento e ultrapassar o limite de saldo em conta para que o valor seja liberado e os juros comecem a correr. Isso ocorre porque o correntista já tem um limite de cheque especial pré-aprovado.

Quadro de tabela de tx e juros de diversos bancos em 2016

Alan Gomes, sócio da Novi Soluções Financeiras, empresa especializada em operações de crédito com garantia do carro e do imóvel, afirma que a facilidade do cheque especial muitas vezes leva clientes a confundirem o limite pré-aprovado da linha com a sua renda.

“Uma vez perguntei a uma cliente qual era sua renda e ela me disse que era de 10 mil reais. Depois, eu descobri que na verdade a soma de sua renda, de 5 mil reais, com o limite do cheque especial, que também era de 5 mil reais, é que resultava nos 10 mil reais que ela havia mencionado”, conta Gomes.

Para evitar o descontrole, o cliente pode solicitar ao banco que o limite de crédito do cheque especial seja reduzido.

Prefira outras modalidades de crédito

Uma alternativa de empréstimo mais recomendada por consultores financeiros é o crédito consignado. Como suas prestações são descontadas da folha de pagamento do cliente, a renda do tomador funciona como garantia do empréstimo e seus juros costumam ser muito mais baixos.

A título de comparação, a pesquisa mensal de março do Banco Central mostra que os juros médios cobrados no crédito consignado concedido a trabalhadores do setor privado ficaram em 44,4% ao ano.

Com essa taxa de juro, ao contrair uma dívida de 2 mil reais no consignado, o cliente paga 2.881,57 em um ano, valor 8.055,78 reais inferior, ou 279% mais baixo do que os 10.937,35 reais que seriam pagos no cheque especial do Santander.

Porém, como o consignado costuma ser uma linha mais restrita a funcionários públicos e trabalhadores de empresas privadas de médio e grande porte – que fazem acordos com bancos para oferecer o consignado como benefício a seus funcionários – Alan Gomes, da Novi, recomenda que em caso de endividamento, o devedor considere substituir dívidas caras pelo crédito com garantia do imóvel ou do carro.

Nesse tipo de empréstimo, o cliente oferece seu carro ou imóvel como garantia para conseguir o crédito. Ainda que essa linha tenha juros baixos e possibilite a tomada de um valor mais alto, o cliente deve se planejar com cuidado para se certificar de que as parcelas da dívida caberão em seu bolso, já que seus bens podem ser retomados em caso de inadimplência (veja em detalhes como funciona o crédito com garantia).

IOF
Além dos juros, as transações feitas com cheque especial também sofrem incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que é cobrado sobre qualquer utilização do cheque especial.

São dois os descontos de IOF incidentes: um deles é de 3% ao ano e vale para qualquer operação de crédito realizada em até 365 dias; e o outro é o IOF adicional, que desconta um percentual fixo de 0,38% do valor transacionado em cada operação.

Vale ressaltar que, mesmo se o seu banco abrir mão de cobrar juros no cheque especial por alguns dias, como alguns fazem, o governo não deixa de cobrar o imposto, independentemente do período de utilização do crédito.

O cálculo do IOF não foi incluído na simulação pois a alíquota incidente é igual para todos os bancos e o objetivo do levantamento era mostrar a diferença de custos entre as instituições.

Fonte: Exame.com

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