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Mesmo diante de dados, bancos negam adoecimento dos bancários em função do trabalho

Na mesa desta segunda-feira 1º, cujo tema foi “Saúde e Condições de Trabalho”, os representantes dos trabalhadores apresentaram à Fenaban (federação dos bancos) dados que confirmam o grande aumento do adoecimento mental e físico dos bancários em função do trabalho. Mas mesmo diante dos números, os representantes dos bancos negaram que isso seja consequência das condições de trabalho, da gestão com cobrança de metas abusivas e assédio moral.

O movimento sindical apresentou muitos dados sobre o adoecimento dos bancários. E esses dados não deixam dúvidas sobre o fato de sermos uma das categorias que mais sofre psicológica e fisicamente em consequência da pressão e assédio institucionalizados nos bancos. Mas eles insistem em associar o adoecimento a causas externas ao trabalho, e questionam os números, a metodologia, os institutos. Nós reforçamos que é preciso discutir a questão do combate às metas abusivas e ao assédio moral.

Dados sobre adoecimento da categoria

Apesar de representar 1% do emprego formal no Brasil, a categoria bancária representa 24% dos afastamentos acidentários (B91) por doenças mentais e comportamentais no país. Em 2012, esse percentual era de 12%. Esses e outros dados foram apresentados pelo Comando dos Bancários na mesa desta segunda-feira, que foi a sexta rodada de negociação da Campanha Nacional dos Bancários 2022.Veja outros dados apresentados:

Veja outros dados apresentados:

  • Em 2020, a incidência de acidentes de trabalho nos bancos múltiplos com carteira comercial foi de 12,8 para cada mil vínculos, enquanto a média geral da economia foi de 10,8 acidentes por cada mil vínculos
  • O índice de doenças ocupacionais por cada mil vínculos nos bancos múltiplos com carteira comercial foi de 6,43 em 2020, sendo que na média geral da economia o indicador é de 0,74 por mil vínculos;
  • Entre 2013 e 2020 a média de afastamentos na categoria bancária foi de 20.192/ano;
  • Nos últimos 5 anos o número de afastamentos nos bancos aumentou 26,2%, enquanto no geral a variação foi de 15,4%, ou seja, entre os bancários a variação foi 1,7 vezes maior do que na média dos outros setores;
  • A categoria bancária tem peso de menos de 1% no emprego formal no Brasil, mas tem peso de 3% nos afastamentos acidentários (B91). Essa proporção já foi bem menor: era de 1,7% em 2013;
  • Nos afastamentos Previdenciários (B31), as doenças mentais eram de 23% em 2012 e saltaram para 36% em 2021;
  • Nos afastamentos Acidentários (B91) as doenças mentais e comportamentais saíram de 30% em 2012 para 55% em 2021 e as doenças nervosas saíram de 9% para 16%
  • No 1º semestre de 2022, 44,1% dos desligamentos na categoria foram a pedido, enquanto na economia como um todo esse percentual foi de 33,6%. Uma das hipóteses para esse comportamento é o esgotamento dos trabalhadores por conta de pressões com metas abusivas.

Fim das metas abusivas e combate ao assédio moral

Os trabalhadores reivindicam a manutenção de cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) que visam coibir as metas abusivas e o assédio moral. Para a questão das metas, a categoria reivindica, entre outras medidas, que elas sejam estipuladas com participação dos trabalhadores, e que levem em consideração o porte das agências, a quantidade de empregados e o perfil econômico dos clientes.

Em relação ao assédio moral, os trabalhadores querem que o instrumento de combate, com apuração das denúncias, proteção aos denunciantes e participação dos sindicatos, seja mantido e aprimorado, entre outras reivindicações.

Fenaban ficou de avaliar a pauta

Após muito debate, a Fenaban se comprometeu a avaliar as reivindicações da categoria na área de saúde.

O Movimento Sindical espera que essa análise leve em conta as experiências concretas que os sindicatos trouxeram para a mesa sobre o sofrimento mental dos bancários no cotidiano do trabalho e no enfrentamento ao assédio. Casos como o que veio a público recentemente, com as denúncias de assédio sexual e moral na Caixa por seu então presidente, Pedro Guimarães, e pessoas ligadas a ele são muito comuns nos bancos e chegam aos montes ao Sindicato. Negar essa realidade não ajudará a resolver o problema, e todos têm o direito de trabalhar em um ambiente seguro, saudável e decente.

Covid e outras pandemias

Além dessas questões, os representantes dos trabalhadores destacaram a importância de manter as medidas sanitárias adotadas em função da pandemia de covid-19.

É essencial manter os protocolos de segurança, que inclusive ajudam a prevenir a proliferação de novas epidemias, como por exemplo a varíola do macaco.

Também foi destacado na mesa que é importante continuar monitorando a categoria em relação às sequelas da Covid-19, para readaptar os trabalhadores de acordo com suas novas necessidades. Uma característica comum entre pessoas que tiveram covid, por exemplo, é perda de memória. Essa condição deve ser observada na hora de readaptar o bancário ou bancária ao trabalho.

Outra reivindicação abordada na mesa foi de ventilação nos locais de trabalho, visto que a maioria deles tem sistema de ar condicionado que não possibilita a circulação de ar, o que pode contribuir para a proliferação de doenças respiratórias.

Próxima mesa é nesta quarta 3

A próxima mesa de negociação será nesta quarta-feira 3 e iniciará os debates sobre cláusulas econômicas. Entre outros pontos, os bancários reivindicam aumento real de 5% para salários, PLR e demais verbas como VA e VR.

Fonte: Movimento Sindical