Itaú busca desovar R$ 3,6 bi em créditos podres oriundos da Pandemia

O Itaú Unibanco colocou à venda um conjunto de seis carteiras que totalizam R$ 3,6 bilhões em créditos podres (dívidas vencidas e não pagas) de clientes pessoas físicas que sentiram o baque da pandemia e da crise econômica. Conforme apurou a Coluna, a oferta abrange 1,1 milhão de contratos de crédito rotativo, consignado e cartões de crédito, com atraso no pagamento em torno de dois anos e meio. Se a operação for concretizada, será a primeira venda feita pelo banco de uma carteira “jovem”. As candidatas naturais a fecharem a compra são as empresas especializadas em crédito podre no País, como Return (do Santander), Ativos (Banco do Brasil), RCB (Bradesco) e MGC (independente), entre outras.

A carteira tem um prazo de vencimento baixo em relação ao das que são normalmente vendidas no mercado. Na maioria dos casos, os bancos se desfazem de contratos vencidos há mais tempo, quando já empenharam muitos esforços na tentativa de reaver os valores não pagos pelos consumidores. Neste ano, porém, outros bancos também venderam carteiras “jovens”.

Inflação e juros levaram a onda de inadimplência
No pano de fundo está a alta da inflação e dos juros, o que afetou o bolso dos clientes e detonou uma onda de inadimplência. Há também a necessidade de adaptação dos bancos ao padrão contábil IFRS 9, que impõe normas mais rígidos na constituição de provisão para devedores duvidosos – o que pesa negativamente em seus balanços e desagrada a investidores.

O Itaú lançou sua oferta formalmente na última quinta-feira, dia 9, data em que abriu os dados da carteira para consulta por potenciais interessados na aquisição. O cronograma prevê o envio das ofertas vinculantes até 1º de julho, com liquidação no dia 14 do mesmo mês. Os lances podem ser direcionados a cada uma das seis carteiras do Itaú separadamente, sem a obrigatoriedade de comprar o pacotão de uma só vez. Isso facilita bastante as negociações.

Comprador ganha dinheiro na recuperação da dívida principal
Como é a primeira vez que lança uma oferta como essa, não está claro se o processo será concretizado, o que dependerá dos lances. Apesar do nome aparentemente pejorativo, a comercialização de créditos podres é uma forma de desonerar bancos e empresas que carregam as dívidas vencidas em seus balanços. Por parte da compradora, é possível ganhar dinheiro na recuperação da dívida principal, ainda que mediante descontos aos inadimplentes. Procurado, o Itaú Unibanco não se manifestou sobre o assunto.

Fonte: Estadão