05/04/16 Crédito

Idosos devem aos bancos R$ 89 bilhões em crédito consignado

Idosos- dívidas com consignadosApesar de os dados do Banco Central (BC) apontarem que o estoque de financiamentos está em forte desaceleração, o consignado para aposentados e pensionistas do INSS mantém expansão na casa de dois dígitos.

Conquistar a tão sonhada aposentadoria não garante vida tranquila a milhares de brasileiros. A falta de planejamento e, muitas vezes, de conhecimento, além da carestia, impediram que poupassem na idade ativa para custear o aumento de gastos na velhice.

A queda na renda após o requerimento do benefício do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) faz com que precisem recorrer a empréstimos para fazer frente às despesas com remédios, planos de saúde e até mesmo para pagar despesas básicas. E o que é pior, em meio à crise econômica e ao desemprego crescente, alguns idosos passaram a sustentar a família.

Essa realidade fica clara quando são analisados indicadores de crédito. Apesar de os dados do Banco Central (BC) apontarem que o estoque de financiamentos está em forte desaceleração — nos últimos 12 meses encerrados em fevereiro, apresentaram crescimento de apenas 5,3% e somente no primeiro bimestre encolheu 1,1% — o consignado para aposentados e pensionistas do INSS mantém expansão na casa de dois dígitos.

Entre março de 2015 e fevereiro deste ano, acumulou alta de 12,4%. Nesse período, o total de empréstimos passou de R$ 81,2 bilhões para R$ 89,6 bilhões. Somente em janeiro e fevereiro, a elevação foi de 4,3%.

O aposentado Francisco Martins Ferreira, 75 anos, recorreu ao consignado para reduzir o gasto com juros do cheque especial, que em fevereiro chegou a 293,9% ao ano. Ele admite que não é organizado financeiramente, nem mesmo a renda extra que recebe com o aluguel de um imóvel tem sido suficiente para custear todas as despesas.

“Avancei o sinal e fiz muitas dívidas, prefiro dever o consignado, que tem parcelas mais baratas. Com a crise, reduzi o aluguel em 15% para manter a renda. O custo de vida está muito alto e os gastos só aumentaram nos últimos anos”, conta.

Fonte: Correio Braziliense

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