HSBC quer tranquilizar clientes e afirma que fará “transição suave”

Cartão do HSBCEm nota para tranquilizar os clientes, o banco HSBC informou que continua operando normalmente no Brasil, mas que – após a venda das operações – manterá apenas o atendimento a empresas de grande porte, relacionado a necessidades internacionais. O banco confirmou que está em processo de venda de ativos. A nota diz que “o HSBC está empenhado em garantir a continuidade do negócio e uma transição suave e coordenada para um potencial comprador”.

O HSBC Brasil é parte da HSBC Holdings, com US$ 2,6 trilhões em ativos e mais de 51 milhões de clientes em 73 países.

O Bradesco teria apresentado o maior preço na primeira fase da disputa. Além disso, a imprensa especializada especula que Itaú e Santander também teriam apresentado propostas compatíveis.

O economista Lucas Dezordi, professor da Universidade Positivo e especialista em economia monetária, afirma que a transação deve seguir as normas do Banco Central e de relacionamento com o consumidor, e que os correntistas não devem se preocupar, já que o HSBC deve repassar as operações para outro grande banco.

“O HSBC vai vender essas operações para uma grande instituição financeira de atuação nacional, então, os correntistas têm que ficar tranquilos, no HSBC, porque eles estão assegurados pela regulamentação do Banco Central e pelas normas do consumidor, ou seja, o Procon, com respeito de contrato, de manter investimentos, e que nenhum desses movimentos a nível nacional do HSBC venha prejudicar os correntistas domésticos, ou seja, brasileiros. Então é uma hora para se ter calma e não fazer nenhum movimento que prejudique seus investimentos e suas operações, de pessoas físicas ou pessoa jurídica”, explica.

A saída do HSBC de Curitiba deve causar um impacto anual negativo de 85 milhões de reais em arrecadação. Para o economista, o impacto já era esperado.

O Paraná o estado mais afetado com a venda do HSBC no Brasil. Os bancários temem demissões em massa, caso o comprador seja um banco que já tenha sede no país. A sede do HSBC no Brasil fica no Paraná e emprega aproximadamente sete mil e quinhentas pessoas distribuídas em agências e centros administrativos. Só em Curitiba, são cinco mil e quinhentos funcionários.

“Um banco contribui muito, com prestação de serviços e com o ISS – Imposto Sobre Serviços, mas de qualquer maneira, o HSBC vai diminuir sua participação no Brasil, e essa redução vai gerar menos atividade, menos serviços e menos arrecadação para o município de Curitiba. A gente estima em torno de 8% da receita do município pode ser afetada por uma saída completa do HSBC, isso sim teria um impacto bem complicado para as finanças da cidade”, afirma.

As demissões parecem inevitáveis, segundo o próprio banco. Lucas Dezordi afirma que os trabalhadores do HSBC são qualificados e é possível se recolocar em outros mercados.

“Acredito que no curto prazo, durante um ano e meio, até mais, vai ter um impacto bem negativo na renda média do trabalhador curitibano, principalmente no setor financeiro, em dificuldade para encontrar uma boa colocação. O trabalhador tem que ter a percepção de que as vezes os melhores empregos e outras oportunidades podem vir do Interior do Paraná. A gente orienta às pessoas que estão perdendo o emprego aqui e têm uma boa qualificação é que, com base no Caged, o Interior do Paraná está contratando bem, ainda não estão com saldo negativo e contrata bastante no interior na área financeira, em cooperativas agrícolas, cooperativas de crédito, precisam de gente qualificada na área financeira”, sugere.

E a saída do HSBC de Curitiba também deve interferir diretamente na vida de cerca de 350 crianças e adolescentes carentes atendidas pelo Instituto HSBC Solidariedade. São 11 instituições de acolhimento que recebem ajuda do instituto com projetos, entre eles o coral de crianças no Palácio Avenida no Natal, referência da data em Curitiba. Como a transação ainda está no campo das especulações, não há informações sobre o futuro das apresentações de Natal e projetos sociais do HSBC.

Íntegra da nota oficial do HSBC:

“O HSBC Holdings confirmou esta manhã no seu Investor Day, em Londres, que pretende vender a sua operação no País, mas planeja manter presença no Brasil para atender aos clientes corporativos de grande porte em suas necessidades internacionais.

O HSBC Brasil está em um processo de venda e não de encerramento de suas operações no País. O banco segue operando normalmente e, mesmo após a venda, seguirá prestando serviços aos seus clientes.

O HSBC está empenhado em garantir a continuidade do negócio e uma transição suave e coordenada para um potencial comprador. HSBC Brasil é parte da HSBC Holdings, uma das maiores instituições financeiras mundiais, com 2,6 trilhões de dólares em ativos e mais de 51 milhões de clientes em 73 países.”

Fonte: Paraná Portal

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