FENABAN decepciona mais uma vez

Mobilização é a palavra de ordem depois da frustrada negociação do dia de hoje.

Aconteceu na manhã de hoje(17) mais uma rodada de negociações com a FENABAN em São Paulo.

Nesta rodada, mais uma vez a FENABAN frustrou qualquer expectativa de avanço nas já tão difíceis negociações deste ano. Aconteceu um debate que pode ser considerado “preliminar” sobre as cláusulas econômicas, mas a entidade patronal mais uma vez se mostrou irredutível, o tempo todo apresentou argumentos de que a crise e a situação do país forçam os reajustes salariais para baixo.

Os representantes dos bancários por sua vez insistiram novamente na lucratividade do setor e que os resultados do primeiro semestre foram ótimos e isso é que tem que ser levado em conta na hora das negociações, também foi enfatizada a perda de poder de compra por parte de toda a categoria bancária.

Muito travada, a negociação não avançou em nada, vários itens como a reivindicação de concessão de 5 dias de abono por assiduidade e que o adicional de férias no valor de uma remuneração não sofra desconto posterior tiveram sempre a mesma resposta da FENABAN: que serão levados aos bancos, outra grande parte das reivindicações já foi negada diretamente na mesa de negociações.

A negociação de hoje ficou muito aquém de qualquer expectativa pessimista. Os bancos tem dificuldade em aceitarem na mesa que o sistema é lucrativo e cresce há anos, sendo isso justificativa mais que plausível para concessão de um ganho real para os bancários, os principais responsáveis por todo o crescimento do setor.

Vale lembrar que somente nos primeiros seis meses deste ano os maiores bancos presentes no País (Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa) lucraram R$38,2 bilhões, o que representa um crescimento de 27,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Nos mesmos seis meses ganharam R$ 109,6 bilhões com receitas de títulos, crescimento de 59% em relação ao mesmo período de 2014.

Nova negociação, esta para apresentação de proposta de índice de reajuste, ficou agendada para o próximo dia 25 de setembro às 10h. Bancários reivindicam o INPC + 5% de aumento real, dando um índice, aproximadamente, de 16% . Nos últimos 10 anos (2004 a 2014), a categoria bancária conquistou aumento real de 20,7%.

Além de reajuste do INPC + 5% de aumento real (+-16%), foram debatidas as seguintes reivindicações:

PLR

Estudos do Dieese apontam que quanto maior o lucro do banco, menor tende a ser o percentual de distribuição na forma de PLR (Participação nos Lucros e Resultados). Os percentuais do Bradesco e do Itaú, por exemplo, foram 6,70% e 5,40%, respectivamente, sobre o lucro líquido de 2014, mas já chegaram a pagar 14% em 1995, quando os bancários começaram a negociar a PLR.

Diante deste quadro desproporcional, a categoria está reivindicando PLR de três salários mais parcela fixa de R$7.246,82. Na hipótese de prejuízo, os trabalhadores querem a garantia do pagamento de um salário mínimo do Dieese, referente ao mês de divulgação do balanço.

Os bancos sinalizaram para a manutenção das regras do ano passado com correção, mas se comprometeram a apresentar um pacote global.

14º salário

Como valorização do trabalhado executado pelos bancários, os dirigentes sindicais reivindicaram o pagamento do 14º salário a todos os empregados, inclusive aos afastados e aos que tiveram o contrato de trabalho rescindido. A Fenaban disse não. Argumentou que não há justificativa para mais uma remuneração fixa e que a CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) já conta com muitos benefícios.

Salário de ingresso

A Comissão Nacional também quer garantir o piso inicial, no setor bancário, de R$3.299,66. O valor é equivalente ao salário mínimo indicado pelo Dieese, como essencial para a sobrevivência do trabalhador. A minuta da categoria também propõe o salário inicial de R$4.454,54 para caixas e operadores de atendimento e a criação dos pisos de R$ 5.609,42 para primeiro comissionado e de R$ 7.424,24 para primeiro gerente. Mas também não houve propostas por parte dos banqueiros.

Parcelamento de adiantamento de férias

O movimento sindical também defende proposta na qual os trabalhadores, por ocasião das férias, possam requerer que a devolução do adiantamento feito pelo banco seja efetuada em até dez parcelas iguais e sem juros, a partir do mês subsequente ao do crédito. Vários bancos já concedem essa vantagem aos bancários. Os banqueiros ficaram de discutir entre os bancos, para responder posteriormente.

Reajuste dos auxílios

Outra reivindicação é o aumento no valor dos vales alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá para R$788,00 ao mês, para cada, correspondendo ao valor do salário mínimo nacional vigente. Os banqueiros, mais uma vez, ficaram de responder futuramente às reivindicações.

Auxílio Educacional 

A categoria reivindica ainda, que as despesas com ensino médio, graduação e pós-graduação sejam custeadas integralmente pelos bancos. Atualmente, o auxílio educacional é estabelecido conforme critério de cada instituição bancária. Nesta clausula, não houve consenso entre os bancos e, consequentemente, não houve acordo.

15 minutos

O debate sobre os 15 minutos de pausa para mulheres antecedendo a jornada extraordinária também foi realizado nesta quinta. Foram feitas as explicações do súbito cumprimento da Lei, por parte dos bancos, e do que poderia ser feito para modificar este procedimento. Foi combinado uma pausa no debate enquanto o assunto tramita no STF (Supremo Tribunal Federal).

A Comissão alertou, durante a negociação com a Fenaban, que não aceitará retrocessos.

Calendário de negociações

Fenaban
25/9 – Apresentação de proposta global

Banco do Brasil
18/9 – Remuneração e Plano de Carreira

Caixa Econômica Federal
18 /9 – Contratações, Condições das agências e Jornada de Trabalho

Itaú
23/9 – Emprego

Fonte: Movimento Sindical

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.