Bancários sofrem com atendimento restrito no Itaú

Prática adotada pela direção para forçar a população a usar máquinas de autoatendimento leva a clima ruim, com muitas reclamações.

A restrição no recebimento de boletos e cheques causa transtornos na vida dos bancários do Itaú. “Os clientes reclamam com razão, ficam indignados dizendo que pegaram fila para nada”, conta uma funcionária do banco. A restrição começou quando as contas de energia elétrica passaram a ser recusadas nos caixas, podendo ser pagas apenas no autoatendimento. Cara de sofrimento

“Na época disseram que isso era uma tendência, logo depois passamos a não aceitar mais outras contas, só de gás, e agora não recebemos nenhuma conta de consumo, a única ainda aceita é o IPTU. Alguns clientes acham que podemos receber esses boletos, mas não, o sistema não aceita mais, não temos como passar”, explica a bancária. A restrição também está sendo aplicada no recebimento de cheques, que só são aceitos caso sejam do Itaú e se a pessoa também for cliente do banco.

Segundo essa funcionária do Itaú, que não será identificada, muitos clientes acabam tratando os atendentes com agressividade. “No primeiro momento descontam na gente, todo dia tem algum estresse, nós que ficamos na linha de frente é que seguramos o rojão. Os mais novos sentem-se acuados, alguns acabam indo chorar”, relata a trabalhadora. “Lidar com público já não é fácil, com mais essa situação é um desgaste grande”, critica. A bancária lembra que o Itaú vem recebendo muitos clientes que são barrados no Bradesco, também por conta de restrições, mas acabam novamente impedidos de pagar contas.

Discriminação
“A discriminação que o banco faz é cada vez mais agressiva, os bancários são ofendidos a todo momento por clientes que não se conformam com as regras que são para todos os segmentos. A reclamação sobra para os funcionários”, ressalta Valeska Pincovai, diretora do Sindicato de SP. Ela aponta que há também discriminação no horário estendido. “Por exemplo, as agências que ficam abertas em shopping até as 20h só atendem até 17h. Depois desse horário, só clientes podem entrar.”

A dirigente lembra que essa estratégia faz parte da política digital do banco que é a retirada de clientes das agências, criação de agências digitais Personnalité e Uniclass, e a utilização de internet e celulares. O movimento sindical questiona o Itaú sobre como ficam os empregos dos bancários após esse processo. “Já cobramos o banco a respeito e foi dito que essa é uma prática de todos os bancos e não só do Itaú”, completou.

A orientação do movimento sindical é que os clientes denunciem esse tipo de situação ao Procon, o Idec, ou pelo 145, do Banco Central.

Fonte: Seeb SP

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