Abono é armadilha para arrochar salários

O CONTO DO VIGÁRIO – Após receber um abono, pago uma única vez, e quitar suas dívidas, o trabalhador cai na realidade e percebe que, sem aumento real, ele perde seu poder de compra.

Os banqueiros ressuscitaram nesta campanha a velha prática dos anos 1990: o abono salarial. Com ele, tentam maquiar o arrocho salarial contido em sua proposta de 5,5% de reajuste, quase metade do necessário para repor a inflação de 9,88% dos últimos 12 meses e muito longe dos 16% reivindicados, correspondente à reposição mais 5,7% de aumento real, índice que os bancos têm todas as condições de conceder com folga.

O abono foi e sempre será prejudicial aos trabalhadores. Trata-se de uma armadilha, uma imoralidade. Sua utilização é um artifício para enganar o bancário e esconder a verdade de que é muito mais justo um percentual de aumento salarial. Mas há mais sujeira por detrás desta velha jogada: os bancos não explicam que sobre o abono incidirá o desconto do imposto de renda, reduzindo significativamente o seu valor.

E mais: o valor do abono não é agregado ao salário, significando, na verdade, mais arrocho, cuja finalidade é economizar na folha de pagamentos para aumentar ainda mais a lucratividade. Ao não repor o poder de compra dos salários, a tática do abono tem a médio e longo prazos efeitos extremamente prejudiciais aos bancários.

Tomando como exemplo a proposta apresentada pela Fenaban, sem o desconto do imposto de renda, o abono diluído em 12 vezes (1 ano) representaria R$ 208 por mês, cabendo ressaltar que esse valor não tem reflexos positivos sobre o 13° salário, férias, INSS, FGTS, PLR, sendo que após 1 ano não existirá mais. Assim, os bancos não contabilizam o valor na folha seguinte.

Fazendo um exercício de comparação, por exemplo, com a reposição da inflação (9,88), esses 4,3% a mais em relação ao índice proposto pela Fenaban de 5,5% representam R$ 120 de acréscimo no salário para quem recebe R$ 3.000, ou R$ 200 para quem recebe R$ 5.000. A grande diferença é que nesses casos são agregados, de fato, aos salários, incidindo em todas as verbas e direitos e acumulando com reajustes salariais futuros, impactando inclusive na aposentadoria.

“A armadilha está exatamente aí: o abono parece um bom negócio, mas é mais um truque. Uma cortina de fumaça dos bancos, que não jogam para perder. Enquanto ficamos no aperto, eles não param de ganhar”. explica o presidente desta Federação e do Sindicato de Cascavel, Gladir Basso.

Vejam nota que Fenaban divulgou

A Fenaban informou por nota que “a proposta visa compensar perdas decorrentes da inflação passada, sem contaminar os índices futuros, o que iria contra os esforços do governo para reequilibrar os fundamentos macroeconômicos”.

O documento destaca que a proposta da federação mantém o poder de compra médio da categoria nos últimos doze meses e que, desde 2004, houve um processo de aumento real dos salários dos bancários sem interrupção.

“O reajuste de 5,5% está em linha com a expectativa de inflação para os próximos 12 meses. Índices acima das expectativas de inflação podem contribuir para maior dificuldade na queda dos índices inflacionários”, informa a nota.

Além do reajuste salarial, os bancários receberiam participação de 5% a 15% dos lucros dos bancos.

De acordo com a Fenaban, essa fórmula de distribuição do lucro, aplicada, por exemplo, ao salário de um caixa bancário (R$ 2.560) pode garantir o equivalente a até quatro salários.

Fonte: Movimento Sindical

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