21/08/17 Eleições

Vote Brasil 2018

Já que tudo in­dica que Temer per­ma­nece à frente do go­verno até de­zembro de 2018, dado que a sua base aliada no Con­gresso de­cidiu obs­truir a Jus­tiça, fica a per­gunta: a quem eleger para su­cedê-lo?

Pes­quisas elei­to­rais que já ti­veram início des­tacam uma dúzia de pro­vá­veis can­di­datos. E os elei­tores re­agem de di­fe­rentes formas. Há os que já de­ci­diram não votar. É a turma do Par­tido Nin­guém Presta. Ati­tude me­ra­mente emo­ci­onal. Quem tem nojo de po­lí­tica é go­ver­nado por quem não tem. E tudo que os maus po­lí­ticos querem é que vi­remos as costas à po­lí­tica para dar a eles carta branca.

Há os que vo­tarão no pró­prio um­bigo em de­fesa de seus in­te­resses cor­po­ra­tivos, como os elei­tores da ban­cada do B: boi, bala, bola, bancos e Bí­blia. Esses es­co­lherão can­di­datos afi­nados com o la­ti­fúndio, o des­ma­ta­mento da Amazônia, o ex­ter­mínio dos in­dí­genas, o mer­cado fi­nan­ceiro, a ho­mo­fobia, a pri­va­ti­zação do pa­trimônio pú­blico e o Es­tado mí­nimo.

Um con­tin­gente de elei­tores vo­tará em quem seu mestre mandar. É o re­banho elei­toral, versão pós-mo­derna do co­ro­ne­lismo, agora subs­ti­tuído por pa­dres e pas­tores, fi­guras mi­diá­ticas e chefes de or­ga­ni­za­ções cri­mi­nosas.

Há ainda o eleitor que se dei­xará levar pela pro­pa­ganda elei­toral. Vo­tará em quem lhe pa­recer mais sim­pá­tico, sem se­quer co­nhecer os pro­jetos po­lí­ticos do can­di­dato. É aquela em­patia olho no olho que não vê mente, co­ração e bolsos…

E há os que vo­tarão em can­di­datos pro­gres­sistas, ou na­queles que assim se apre­sen­tarão nos pa­lan­ques, na es­pe­rança de res­gatar os di­reitos cas­sados pela atual re­forma tra­ba­lhista e cor­rigir os des­mandos do go­verno Temer, para que o país volte a crescer e am­pliar seus pro­gramas so­ciais.

Ora, de­vemos votar no Brasil que so­nhamos para as fu­turas ge­ra­ções. Isso sig­ni­fica pri­o­rizar pro­gramas e pro­jetos, e não can­di­datos. Um país no qual coin­cidam de­mo­cracia po­lí­tica e de­mo­cracia econô­mica. De que vale o su­frágio uni­versal se não re­par­timos o pão?

Votar no Brasil que re­quer pro­fundas re­formas es­tru­tu­rais, como a tri­bu­tária, com im­postos pro­gres­sivos; a agrária, com o fim do la­ti­fúndio e do tra­balho es­cravo; a po­lí­tica e a ju­di­ciária.

Brasil que pro­mova os di­reitos das po­pu­la­ções in­dí­genas, qui­lom­bolas e ri­bei­ri­nhas. Brasil de de­mo­cracia par­ti­ci­pa­tiva e no qual o Es­tado seja o prin­cipal in­dutor do de­sen­vol­vi­mento, com dis­tri­buição de ri­queza e pre­ser­vação am­bi­ental.

Fora disso, tudo fi­cará como dantes no quartel de Abrantes. Ou pior.

Votar é im­por­tante, mas não su­fi­ci­ente. Porque no Brasil tra­di­ci­o­nal­mente nós vo­tamos e o poder econô­mico elege. Em 2018, porém, será a pri­meira eleição para o Con­gresso e a pre­si­dência da Re­pú­blica na qual as em­presas não po­derão fi­nan­ciar cam­pa­nhas po­lí­ticas, como fa­ziam as que estão de­nun­ci­adas pela Lava Jato. Isso não sig­ni­fica que o caixa dois será ex­tinto. Seria muita in­ge­nui­dade pensar que po­lí­ticos que se lixam para a ética não ha­verão de en­con­trar formas de obter di­nheiro ilegal.

Por isso, é um erro jogar nas elei­ções todas as fi­chas da nossa es­pe­rança em um Brasil me­lhor. O mais im­por­tante é in­vestir no em­po­de­ra­mento po­pular. Re­forçar os mo­vi­mentos so­ciais e sin­di­cais, in­ten­si­ficar o tra­balho de for­mação po­lí­tica e cons­ci­ência crí­tica, di­latar os es­paços de pressão, rei­vin­di­cação e mo­bi­li­zação. Só con­se­gui­remos mu­danças sig­ni­fi­ca­tivas se vi­erem de baixo para cima.

Fonte: Correio da Cidadania

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