15/05/19 Protestos

Tsunami da educação toma escolas e ruas do país

Dia nacional de greve na educação tem adesão ampla, apoio popular e leva governo a bater cabeça.

O dia nacional de greve na educação, neste 15 de maio, começou com paralisações em escolas  O movimento é integrado por trabalhadores no setor de ensino, professores, pesquisadores, alunos e pais de alunos.

A greve também tem apoio das Centrais Sindicais e de Movimentos Sociais, que veem na mobilização uma preparação para a greve geral de 14 de junho.

Desde que assumiu o posto no começo de abril, o Ministro da Educação Abraham Weintraub congelou recursos tanto da educação básica quanto das universidades federais. Ao menos 2,4 bilhões de reais que estavam previstos para investimentos em programas da educação infantil ao ensino médio foram bloqueados.

O ministro também declarou que haveria um corte de 30% no orçamento de universidades federais que promovessem “balbúrdia” e tivessem desempenho acadêmico abaixo do esperado.

Ele citou a Universidade Federal da Bahia, a Universidade Federal Fluminense e Universidade de Brasília como alvos, apesar de todas estarem entre as 50 melhores da América Latina segundo o ranking Times Higher Education.

Depois, o ministro recuou e afirmou que o corte seria linear para todas as universidades federais, o que segundo reitores inviabiliza a continuidade das atividades; os repasses já passaram por cortes sucessivos nos anos anteriores.

O ministro passou então a destacar que o corte é sobre a verba de custeio e portanto mais próximo de 3%, pois grande parte das despesas universitárias são obrigatórias por lei, como os salários.

Além do corte no repasse para as federais, 3.474 bolsas para estudantes de mestrado, doutorado e pós-doutorado oferecidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) também foram suspensas.

Protestos são realizados desde a manhã desta quarta-feira, 15, em todo Pais e miram bloqueios do governo Bolsonaro no orçamento do MEC

São Paulo

Protesto na Avenida Paulista, em São Paulo

Foto: Danilo M Yoshioka / Estadão

Segundo o Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP), ao menos 32 escolas privadas da capital aderiram à paralisação.

Além disso, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e a Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (Fapcom) também cancelaram as aulas desta quarta.

Brasília

Em Brasília, o início do ato foi marcado por discursos de políticos e sindicalistas contra o governo do presidente Jair Bolsonaro. Deputados do PT e PSOL, além de sindicalistas, o Sindicato dos Trabalhadores das Escolas Públicas do Distrito Federal (SAE) e grupos estudantis. “A juventude está na rua mandando um recado ao governo. Ontem, eles (o governo) recuou e voltou atrás. Está claro que a balbúrdia está no Planalto e não aqui”, afirmou o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ).

Além dos cortes na educação, os manifestantes criticaram também a reforma da Previdência e as mudanças nas políticas públicas ligadas às minorias.

Em outras capitais, como  Curitiba, as manifestações lotaram as ruas logo pela manhã. No Rio de Janeiro, Belém, Salvador, Caruaru (PE), Dourados (MS), Campinas (SP) e centenas de outras cidades também há protestos.

Belo Horizonte

Depois de percorrerem três praças da região central de Belo Horizonte, manifestantes contrários ao corte de recursos na área da educação

começaram a deixar a Praça Raul Soares no fim da manhã.

Estudantes e professores se concentraram em vários pontos da capital mineira; segundo organizadores do ato unificado, 250 mil pessoas participaram do protesto, já a PM disse que não informa estimativa de manifestantes.

Interior de Minas Gerais

Viçosa – Nesta manhã do dia 15, a manifestação foi grande. Aproximadamente 5000 pessoas, entre estudantes, professores, dirigentes sindicais e outros, partiram da Pça. 4 Pilastras, caminharam até a prefeitura Municipal, paralisando em frente ao Banco Itau  e Brasil – Centro, onde protestaram contra os banqueiros.

O Sindicato dos Bancários de Ponte Nova esteve presente. Representado pelos Diretores Horácio Vasconcelo, Isnard Pinheiro e Luciana Mafia, apoiaram a mobilização dos trabalhadores da educação e protestaram contra os cortes na área e contra a Reforma da Previdência do governo Bolsonaro.

Bolsonaro se confirme em uma das maiores mobilizações do setor na história do país levou o Palácio do Planalto a bater cabeça na terça-feira 14. Na Câmara, com votos contrários apenas de deputados do PSL e do Novo, os parlamentares aprovaram requerimento de Orlando Silva (PCdoB-SP) convocando o ministro da Educação Abraham Weintraub para dar explicações sobre a política de cortes e sua conduta movida a rancor ideológico contra as universidades federais.

Enquanto isso, o líder do governo na Câmara, Delegado Waldir (PSL-GO), revelou que, durante reunião com Bolsonaro, acompanhado de vários colegas deputados, o presidente teria telefonado para o ministro da Educação para pedir a suspensão dos cortes. A notícia acabou sendo negada por ordem da Casa Civil. Teria sido mais um recuo de um recuo na curta história desde governo.

Os protestos de hoje, organizados principalmente pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), são em defesa do direito à educação. A expectativa é que a mobilização também atinja  pais, professores e alunos da rede particular.

“A educação é a porta de entrada da infância e da juventude para o futuro. O presidente Bolsonaro e o ministro da Educação Weintraub têm anunciado uma série de ataques à educação no Brasil. Já vinhamos e seguimos denunciando: Bolsonaro é inimigo da educação”, diz um comunicado da UNE.

Fonte: SBPNR com informações do Movimento Sindical

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