18/10/18 Candidato

Quem é Onyx Lorenzoni, cotado por Bolsonaro para a Casa Civil

Deputado pelo Rio Grande do Sul, Lorenzoni confessou ter recebido caixa dois da JBS e trocou farpas com o presidente do Senado, Renan Calheiros

Deputado criou constrangimento no Congresso ao alterar projeto sem consultar os colegas

Deputado federal pelo Rio Grande do Sul, Onyx Lorenzoni, do DEM, é o nome do candidato Jair Bolsonaro (PSL) para assumir a chefia da Casa Civil, caso o militar da reserva seja eleito.

O parlamentar é um dos integrantes do núcleo duro da campanha de Bolsonaro, assim como o senador Magno Malta (PR-ES), derrotado em sua tentativa de se reeleger neste ano, e Fernando Fracischini, eleito deputado estadual no Paraná pelo PSL. Nestas eleições, foi o segundo deputado federal mais bem votado no Rio Grande do Sul.

No ano passado, Lorenzoni assumiu ter recebido pelo menos 100 mil reais da empresa da JBS para pagar dívidas de campanha. O dinheiro não foi contabilizado pela campanha e é considerado caixa dois. A fraude foi descoberta após um acordo de delação premiada com donos e executivos da empresa em maio de 2017, que atingiu em cheio o atual presidente Michel Temer.

O nome do deputado compõe uma longa lista entregue pelo ex-diretor de relações institucionais da JBS, Ricardo Saud, que aponta os parlamentares beneficiados, cada um, com 200 mil reais da empresa.

Quinze meses após a confissão, não há inquérito em curso contra o parlamentar. A investigação aberta na Procuradoria-Geral da União foi arquivado no Supremo Tribunal Federal pelo ministro Luiz Fux.

Em entrevista à Rádio Gaúcha, na segunda-feira 15, disse que o projeto de Bolsonaro prevê um novo modelo previdenciário, mas não deu detalhes. O presidenciável já afirmou que seja qual for a nova proposta de reforma da previdência, o benefício dos militares não será alterado.

Como uma das medidas para controlar os gatos do governo, o deputado federal propôs cortar, logo no primeiro de dia de mandato, 25 mil cargos. O número, no entanto, é superior aos 23.070 cargos comissionados do Poder Executivo, segundo dados do Ministério do Planejamento, relativos ao mês de agosto. Ao ser informado do número correto, Lorenzoni atualizou a medida, e disse que serão em torno de 20 mil funcionários cortados.

Questionado por jornalistas como o governo faria os cortes sem paralisar a máquina pública, o homem forte de Bolsonaro disse que a ideia se inclui no que eles têm chamado de “plano de governo conceitual”, sem propostas concretas, mas com linhas gerais que devem nortear o Executivo.

Sobre as cotas raciais em universidades e concursos públicos, a opinião do deputado é a de que as cotas criam distorções ao invés de promover justiça social, afirmando que “todos devem ser iguais perante a lei”.

Assim como Bolsonaro, Lorenzoni defende a redução da maioridade penal. Em sua conta no Twitter o deputado afirmou que “o que ocorre hoje é que criminosos se escondem atrás do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente)”.

O deputado concorreu por duas vezes à prefeitura de Porto Alegre, e perdeu as duas. Em 2014 se reelegeu deputado, dando apoio ao então candidato à presidência Aécio Neves (PSDB).

Em 2016 esteve ao lado do presidente Michel Temer em suas principais investidas, ao votar a favor da Reforma Trabalhista e da PEC do Teto de Gastos.

O cargo é ministro da Casa Civil é considerado um dos principais no Executivo. Seu ocupante assessora diretamente o presidente para ações gerais. Um dos seus papéis é fazer a articulação entre o governo e o Congresso.

De saída, Lorenzoni coleciona desafetos no Congresso. Em 2016, durante a votação do pacote de medidas anticorrupção, ele e o presidente do Senado, Renan Calheiros (MDB), trocaram farpas. Lorenzoni foi o  relator do projeto, e fez mudanças no texto que não foram discutidas nas conversas entre os parlamentares, surpreendendo a todos.

Na época Calheiros acusou o deputado de receber caixa dois da industria de armas, forte no Rio Grande do Sul, e encerrou a sessão do Senado dizendo: “Antes de encerrar gostaria de dizer que não houve aqui agressão ao relator da matéria na Câmara dos Deputados, ao Onyx Lorenzetti. Parece nome de chuveiro, mas não é nome de chuveiro.” O deputado reagiu chamando o presidente do Senado de “bandido”.

Calheiros se reelegeu nestas eleições e pretende se candidatar novamente à presidência do Senado.

Fonte: Carta Capital

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