18/04/20 Coronavírus

Quarentena sabotada: nada poderia ser diferente

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A troca de mi­nistro da Saúde no exato mo­mento em que cresce a curva de casos de con­ta­mi­nação pelo Co­ro­na­vírus pre­cisa ser in­ter­pre­tada da ma­neira mais drás­tica pos­sível: o pre­si­dente da Re­pú­blica Fe­de­ra­tiva do Brasil de­li­be­ra­da­mente tra­balha pela morte de um grande nú­mero de pes­soas. E ao bater de frente com Doria e Witzel nos dias que an­te­ce­deram a saída de Man­detta mos­trou-se um feroz pra­ti­cante da “velha po­li­ti­cagem” contra a qual se apre­sentou em sua cam­panha elei­toral re­pleta de ile­ga­li­dades.

É pre­ciso in­sistir, pois aqueles que ainda mo­no­po­lizam a mídia de massa e sua pos­si­bi­li­dade de formar con­sensos – por va­ri­adas ra­zões, a maior delas o acordo sobre o pro­jeto econô­mico do atual go­verno – se re­cusam a tratar Bol­so­naro como o ser hu­mano que é: cor­rupto, de­so­nesto, ide­o­lo­gi­ca­mente to­ta­li­tário, ex­tre­ma­mente ra­cista. Por­tanto, um can­di­dato a ge­no­cida que pre­cisa ser pa­rado.

Um homem que tem na morte o seu im­pulso vital, como de­finiu o fi­ló­sofo Vla­dimir Sa­fatle em seu ar­tigo “Es­tado sui­ci­dário”, ins­pi­rado no in­te­lec­tual francês Paul Vi­rilio, e en­contra na horda de frus­trados e ex­cluídos que forma este aci­den­tado país sua base im­per­meável a qual­quer dado da re­a­li­dade e in­for­mação ci­en­tí­fica.

“O fas­cismo bra­si­leiro e seu nome pró­prio, Bol­so­naro, en­con­traram enfim uma ca­tás­trofe para chamar de sua. Ela veio sob a forma de uma pan­demia que exi­giria da von­tade so­be­rana e sua pa­ra­noia so­cial com­pul­si­va­mente re­pe­tida que ela fosse sub­me­tida à ação co­le­tiva e à so­li­da­ri­e­dade ge­né­rica tendo em vista a emer­gência de um corpo so­cial que não dei­xasse nin­guém na es­trada em di­reção. Di­ante da sub­missão a uma exi­gência de au­to­pre­ser­vação que re­tira da pa­ra­noia seu te­atro, seus ini­migos, suas per­se­gui­ções e seus de­lí­rios de gran­deza a es­colha foi, no en­tanto, pelo flerte con­tínuo com a morte ge­ne­ra­li­zada. Se ainda pre­ci­sás­semos de uma prova de que es­tamos a lidar com uma ló­gica fas­cista de go­verno, esta seria a prova de­fi­ni­tiva. Não se trata de um Es­tado au­to­ri­tário clás­sico que usa da vi­o­lência para des­truir ini­migos. Trata se de um Es­tado sui­ci­dário de tipo fas­cista que só en­contra sua força quando testa sua von­tade di­ante do fim”.

Outro as­pecto que an­te­cipa a der­rota bra­si­leira na ca­fona de­no­mi­nação “guerra ao vírus” é a he­rança edu­ca­ci­onal e in­te­lec­tual que o atual pre­si­dente ca­pi­ta­liza com toda a per­ver­si­dade que a di­ta­dura mi­litar exi­gida pelos li­be­rais de meio sé­culo atrás lhe in­culcou.

Que Bol­so­naro es­palha de­sin­for­mação de forma cri­mi­nosa todos sabem. Mas se fôs­semos uma so­ci­e­dade menos anal­fa­beta seus de­lí­rios não co­la­riam (é certo que tam­pouco seria eleito, o que talvez ex­presse que agora vi­vemos um filme já ro­dado no qual somos apenas per­so­na­gens co­ad­ju­vantes ten­tando, em vão, mudar o des­fecho. Mas en­quanto a cena final não apre­senta pi­lhas de ca­dá­veres e fossas co­muns, ten­tamos).

O jogo sujo do pre­si­dente é in­ces­sante: en­quanto vende a ideia de que o país não pode parar, pro­move po­lí­ticas econô­micas de­plo­rá­veis desde o pri­meiro dia de man­dato. Aliás, sempre vale lem­brar que sua pri­meira me­dida foi ex­tin­guir o Mi­nis­tério do Tra­balho.

En­quanto en­rola ao lado do não menos fas­cista Paulo Guedes na exe­cução da renda mí­nima de 600 reais por mês, cria as con­di­ções para as pes­soas fu­rarem o iso­la­mento. Ao mesmo tempo em que in­venta uma cura má­gica através de um re­médio que toda a co­mu­ni­dade ci­en­tí­fica diz não ser ga­rantia de nada, emite Me­didas Pro­vi­só­rias que re­forçam a pre­ca­ri­zação do tra­balho sob a jus­ti­fi­ca­tiva da pan­demia. En­quanto ins­tiga seus apoi­a­dores a fa­zerem car­re­atas pela re­to­mada da nor­ma­li­dade, trata de fazer ata­ques a go­ver­na­dores es­ta­duais que tentam im­plantar a qua­ren­tena, já ar­mando o dis­curso para a ine­vi­tável ca­tás­trofe econô­mica.

Trata-se de um jogo duplo de quem age como ar­ru­a­ceiro opo­sitor o tempo todo, ja­mais um chefe de Es­tado pre­o­cu­pado com o bem estar de sua po­pu­lação. E tal jogo duplo for­nece mu­nição para o dis­curso vi­ti­mista an­tis­sis­tê­mico com o qual se elegeu. Em todos os ce­ná­rios, Bol­so­naro po­derá se sair como alvo de uma classe po­lí­tica vi­ciada que nunca o deixou tra­ba­lhar. Isso apesar de contar com todos os ge­ne­rais, exér­cito, enorme par­cela dos po­li­ciais a seu lado. Pra não falar do braço ar­mado ilegal com o qual se re­la­ciona desde sempre.

Wishful thin­king li­beral

Fa­lando em ge­ne­rais, nos de­pa­ramos com a pe­quenez dos falsos crí­ticos do pre­si­dente quando lem­bramos que dias atrás cir­cu­lavam ma­té­rias e furos dando conta de que Bol­so­naro já se tor­nara uma rainha da In­gla­terra, uma vez que os adultos na sala, em suas vestes verde-oliva, es­ta­riam dis­creta e res­pon­sa­vel­mente to­mando a frente. Fosse mi­ni­ma­mente ver­da­deiro, Man­detta seria mi­nistro in­to­cável e com plenos po­deres. Ou, ad­mi­tamos, as emi­nên­cias far­dadas do go­verno são da exata qua­li­dade do chefe.

De resto, o jor­na­lismo com al­cance de massa al­terna entre a apatia e a in­di­fe­rença ao ana­lisar as ati­tudes pre­si­den­ciais e suas pro­vá­veis con­sequên­cias. Se de um lado vai bem ao in­formar dados ofi­ciais e for­necer de­bates ci­en­tí­ficos sobre o vírus, de outro lado é frouxo ao não as­so­ciar diu­tur­na­mente a fi­gura do pre­si­dente com o que men­ci­o­namos acima: “cor­rupto, de­so­nesto, ide­o­lo­gi­ca­mente to­ta­li­tário, ex­tre­ma­mente ra­cista. Por­tanto, um can­di­dato a ge­no­cida que pre­cisa ser pa­rado”.

Isso porque fa­lamos de um jor­na­lismo do­mi­nado por re­a­ci­o­ná­rios, as­ses­sores do in­te­resse pri­vado, car­rei­ristas pre­o­cu­pados em ga­rantir a ca­deira de des­taque sem de­sa­gradar os pro­pri­e­tá­rios das grandes emis­soras, rá­dios, jor­nais e re­vistas, todos, sem ne­nhuma ex­ceção, ami­gados com o velho re­gime mi­litar que con­sa­grou Carlos Al­berto Bri­lhante Ustra no ima­gi­nário do ca­pitão do nau­frágio so­cial mais es­pe­ta­cular que ve­remos.

Não deixa de ser con­ve­ni­ente lem­brarmos a cam­panha que tal jor­na­lismo em­pre­endeu contra uma Co­missão da Ver­dade que em sua origem pro­punha Jus­tiça e Re­pa­ração, con­forme os me­lhores pro­cessos de jul­ga­mento de di­ta­duras que o mundo mo­derno já en­frentou. Ao mi­li­tarem tão en­fa­ti­ca­mente pela im­pu­ni­dade de Bri­lhante Ustra e ca­na­lhas as­se­me­lhados, tais co­mu­ni­ca­dores não podem ser se­pa­rados da fi­gura pre­si­den­cial em termos de valor hu­mano, ético e moral.

Em re­sumo: não há ne­nhuma crí­tica ao pre­si­dente à al­tura da atual ne­ces­si­dade. O tom que vemos hoje nos prin­ci­pais no­ti­ciá­rios não chega aos pés do de­nun­cismo diu­turno e ata­ques co­lé­ricos de di­versos co­men­ta­ristas nos tempos de go­vernos pe­tistas. O ódio ide­o­ló­gico do nosso jor­na­lismo em­pre­sa­rial não se ca­na­liza na di­reção do fas­cismo, sim­ples assim.

Dessa forma, o pro­jeto de “des­truir muita coisa antes de cons­truir” segue a ga­nhar ter­reno. Com um já co­nhe­cido es­quema ilegal de de­sin­for­mação – e como faz falta que a mídia de massa bata nesta tecla todo dia, a fim de re­forçar a imagem de cor­rupção no atual pre­si­dente, como fazia até outro dia em re­lação a tudo que chei­rasse PT, com ou sem razão – Bol­so­naro é bem su­ce­dido em con­fundir a po­pu­lação e sa­botar a qua­ren­tena.

Ao fazer isso, abusa da ne­ces­si­dade ma­te­rial de um povo que não é con­tem­plado por ne­nhuma po­lí­tica econô­mica do seu go­verno (in­for­mação de­vi­da­mente so­ne­gada por essa mesma mídia e sua ide­o­logia “mer­cado acima de tudo”), au­menta a pressão sobre os tra­ba­lha­dores, cada dia mais as­se­di­ados por che­fias des­pó­ticas que apoiam o pre­si­dente fa­na­ti­ca­mente, e ga­rante uma grande quan­ti­dade de mortes para o fu­turo pró­ximo.

Nada mal para uma ne­cro­po­lí­tica que agora as­sume aber­ta­mente o des­carte de corpos não ren­tá­veis, desde os ve­lhos até os mais mar­gi­na­li­zados, que podem ir para qual­quer vala comum caso pe­reçam pelo vírus, pois o exér­cito de re­serva se en­contra em mo­mento de grande ro­bustez.

Ainda de acordo com Sa­fatle: “é claro que tal Es­tado (o bra­si­leiro) se funda nessa mis­tura tão nossa de ca­pi­ta­lismo e es­cra­vidão, de pu­bli­ci­dade de cowor­king, de rosto jovem de de­sen­vol­vi­mento sus­ten­tável e in­di­fe­rença as­sas­sina com a morte re­du­zida a efeito co­la­teral do bom fun­ci­o­na­mento ne­ces­sário da eco­nomia. Al­guns acham que estão a ouvir em­pre­sá­rios, donos de res­tau­rantes e pu­bli­ci­tá­rios quando porcos tra­ves­tidos de arautos da ra­ci­o­na­li­dade econô­mica vêm falar que pior que o medo da pan­demia deve ser o medo do de­sem­prego. Na ver­dade, eles estão di­ante de se­nhores de es­cravos que apren­deram a falar bu­si­ness en­glish. A ló­gica é a mesma, só que agora apli­cada a toda a po­pu­lação. O en­genho não pode parar. Se para tanto al­guns es­cravos mor­rerem, bem, nin­guém vai re­al­mente criar um drama por causa disso, não é mesmo? E o que afinal sig­ni­ficam 5.000, 10.000 mortes se es­tamos fa­lando em ‘ga­rantir em­pregos’, ou seja, em ga­rantir que todos con­ti­nu­arão sendo mas­sa­crados e es­po­li­ados em ações sem sen­tido e sem fim en­quanto tra­ba­lham nas con­di­ções as mais mi­se­rá­veis e pre­cá­rias pos­sí­veis?”

Con­ve­nhamos: a pas­sagem acima ex­pressa muito mais o ca­pi­ta­lismo bra­si­leiro, sua bur­guesia e ideó­logos do que a fi­gura in­di­vi­dual do far­sante que ocupa o prin­cipal cargo do país. Até porque só ocupa jus­ta­mente com a per­missão e fi­nan­ci­a­mento deste ca­pi­ta­lismo e de ins­ti­tui­ções pa­té­ticas, como o TSE.

Opor­tu­ni­dade

Como acaba de afirmar João Paulo Leh­mann, crise é opor­tu­ni­dade e es­tamos di­ante de um mo­mento muito ex­ci­tante. Que nin­guém perca tempo ima­gi­nando que os novos dis­po­si­tivos de re­gu­la­men­tação do tra­balho – ou aber­tura de ter­reno para sua su­pressão prá­tica – sairão de cena assim que a pan­demia for su­pe­rada. Mesmo porque talvez não o seja em prazo vi­sível e é pro­vável que ha­verá um mundo a ser rein­ven­tado.

Não à toa, en­quanto as pes­soas vivem sob o fio da na­valha da mi­séria econô­mica e res­guardo de si mesmas e seus fa­mi­li­ares, o go­verno e o Con­gresso ce­le­bram a apro­vação da MP 927, a in­tro­dução da car­teira de tra­balho verde e ama­rela e a li­be­ração pelo STF da “livre ne­go­ci­ação” entre pa­trão e em­pre­gado. E mais uma vez pre­ci­samos des­tacar a má fé com a qual os pi­ca­retas da mídia mo­no­pó­lica tratam do tema e fingem não haver total sub­missão dos em­pre­gados à von­tade pa­tronal. Cris­tina Lobo, ao ana­lisar na Glo­bo­News o único voto con­trário, de Ri­cardo Lewan­dowsky, res­saltou a li­gação deste mi­nistro com o sin­di­ca­lismo. Mas se abs­teve de men­ci­onar li­ga­ções e afi­ni­dades dos mi­nis­tros que vo­taram em favor dessa me­dida cla­ra­mente ne­o­es­cra­vo­crata. Po­deria, por exemplo, men­ci­onar que a mi­nistra Rosa Weber é ré em ação mo­vida por ex-em­pre­gada do­més­tica.

Por fim, o mundo que ainda opera de acordo com o ra­ci­o­cínio ló­gico ab­sorve a ideia de que a China sairá maior do que en­trou na pan­demia. Apro­vei­tará as con­di­ções do vírus para es­ta­be­lecer novos pa­drões de pro­dução e cir­cu­lação, mais es­pe­ci­al­mente através da ace­le­ração da im­plan­tação do 5G, para o qual já se pro­je­tava à frente de todos.

Por aqui, a ideia é apenas es­po­liar um pouco mais, as­saltar o ter­ri­tório, es­cra­vizar e as­sas­sinar o pró­prio povo. Outro dos de­lin­quentes que brinca de go­verno acabou de de­mitir di­retor do Ibama que co­mandou ope­ração contra ga­rimpo ilegal. Trata-se da con­tri­buição à “nova era” do Par­tido Novo e sua “mo­derna” visão de gestão e em­pre­en­de­do­rismo. Pouco ou ne­nhum ruído nos mo­no­pó­lios que passam pra­ti­ca­mente 24 horas ao vivo em suas in­can­sá­veis mesas re­dondas e lives, des­taque-se no­va­mente.

Aliás, que per­mita o leitor mais uma re­missão: no his­tó­rico Dia do Fogo or­ques­trado pelo bol­so­na­rismo os 15 ou 20 mi­nutos de “co­ber­tura es­pe­cial” do Jornal Na­ci­onal não men­ci­o­naram o mi­nistro do Meio Am­bi­ente uma vez se­quer. A pri­o­ri­dade foi tirar do ar­mário – e do con­texto – ve­lhas de­cla­ra­ções de Lula sobre o in­te­resse es­tran­geiro na flo­resta amazô­nica e com­pará-las com as men­tiras pre­me­di­tadas de Bol­so­naro. De resto, seus sá­bios es­pe­ci­a­listas ig­noram que o pre­si­dente age de forma ina­cei­tável ao não mos­trar seus exames sobre a pos­sível con­ta­mi­nação Covid-19 e que seu ar­gu­mento sobre di­reito ao si­gilo é des­pre­zível.

Um dos as­pectos mais dra­má­ticos do mo­mento é ver a ex­trema-di­reita ca­pi­ta­li­zando o dis­curso con­trário ao sis­tema e à ma­ni­pu­lação de uma mídia mol­dada à imagem e se­me­lhança da di­ta­dura mi­litar, que no fim das contas de­fende todas as ma­cro­po­lí­ticas desta ex­trema-di­reita. Tudo se re­sume a uma guerra de fac­ções con­ser­va­doras – a velha e a nova – pela li­de­rança do país e o con­trole da chave do cofre. O bol­so­na­rismo re­pre­senta apenas uma ge­ração de ar­ri­vistas e aven­tu­reiros que sonha em ser a pró­xima elite po­lí­tica e econô­mica.

No en­tanto, uma po­pu­lação des­pro­vida de dis­cer­ni­mento crí­tico e ético não será capaz de fazer ob­ser­vação tão óbvia no curto prazo.

Man­detta

A en­tre­vista de des­pe­dida do po­lí­tico con­ser­vador e pri­va­tista que deixa o mi­nis­tério foi la­pidar: agra­deceu pela opor­tu­ni­dade, cum­pri­mentou tran­qui­la­mente seus al­gozes, até elo­giou os pa­ra­si­tá­rios fi­lhotes do can­di­dato a Mus­so­lini de colônia. Deixa claro que sempre es­teve à al­tura do go­verno de ban­di­tismo e des­truição geral do qual fez parte por quase 16 meses.

Afinal, en­quanto não teve de lidar com um vírus que ba­lança um go­verno que in­siste em se com­portar como opo­sição, per­mitiu o fim do bem su­ce­dido Mais Mé­dicos pelo mero ódio ide­o­ló­gico de seu chefe, li­be­rava a pri­va­ti­zação da saúde, di­mi­nuía o nú­mero dos agora va­li­o­sís­simos leitos de UTI, enfim, fazia sua parte no pro­jeto “des­truir muita coisa antes de cons­truir”.

Na hora da pan­demia, foi apenas um mé­dico que se­guiu as re­co­men­da­ções da OMS e da co­mu­ni­dade mé­dica. Tentou, e não con­se­guiu, exe­cutar po­lí­ticas mí­nimas de con­trole do vírus e mesmo assim sai de cena elo­gi­ando seus sa­bo­ta­dores. Ao con­trário do que de­lirou Fer­nando Haddad em rede so­cial, não deixa um “le­gado de res­peito pela vida, pela saúde, pela ci­ência”.

Mas claro que sob Bol­so­naro tudo que é ruim sempre deve pi­orar. Seu su­cessor Nelson Teich já anun­ciou que é pre­ciso manter o iso­la­mento ho­ri­zontal de­fen­dido pela maior parte do país, mas sem parar tudo, con­forme de­sejam as hordas so­ci­o­pá­ticas que fazem atos de rua com cai­xões e faixas es­crito “foda-se”. Ou seja, entra em cena afi­nado com o jogo-duplo do chefe sa­bo­tador.

A curva de avanço do co­ro­na­vírus no Brasil segue as pre­vi­sões mais ri­go­rosas, o nú­mero de mortes após este final de se­mana será su­pe­rior a 2500 (sem es­quecer que se trata do país com menor ín­dice de tes­tagem entre os 30 mais in­fec­tados) e é com esta mídia “crí­tica” e opo­sição que o pro­jeto de morte segue em frente, com enormes pers­pec­tivas de su­cesso.

Ga­briel Brito é jor­na­lista e editor do Cor­reio da Ci­da­dania.

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