16/07/15 Politica

O ataque de Eduardo Cunha para ampliar o poder de influência na Caixa

Eduardo Cunha x Poder da CaixaSem citar nomes, o Estadão desta terça-feira (14) informou que três ministros de Dilma Rousseff (PT) denunciaram, “em conversas reservadas”, a mais nova manobra de Eduardo Cunha (PMDB) para ampliar seu poder de influência na Caixa Econômica Federal.

De acordo com reportagem assinada por Vera Rosa e Murilo Rodrigues Alves, Cunha não admite e rejeita teses de “toma-lá, dá-cá”, mas quer emplacar um aliado seu na vice-presidência de Ativos de Terceiros da Caixa, setor responsável pela gestão do FI-FGTS, um bilionário fundo de investimentos que funciona como um “mini BNDES”, aplicando recursos do trabalhador em infraestrutura.

Segundo o jornal, Cunha quer promover uma verdadeira “dança das cadeiras” em diretorias da Caixa. A ideia é colocar Fábio Cleto, que ocupa hoje um cargo no setor de Governo e Loterias, na vice-presidência de Ativos e Terceiros. Nesta vaga hoje está Marcos Vasconcelos, com apoio da atual presidente da Caixa, Miriam Belchior, e de Dilma.

Para atingir seu objetivo, Cunha ameaça colocar em votação um projeto contrário aos interesses do governo: a correção do FGTS, proposta assinada por Paulinho da Força (SD), Mendonça Filho (DEM) e Luciano Picciani (PMDB). Os três deputados têm se provado verdadeiros soldados de Cunha – já que este, na condição de presidente da Câmara, não pode ser autor de matérias que vão tramitar na Casa.

A proposta que será discutida pela Câmara com patrocínio de Cunha é dobrar a correção do FGTS dos atuais 3% ao ano mais TR (Taxa de Referência) para 6,17% ao ano, além da TR, nos depósitos feitos a partir de 2016. O deputado fluminense disse que colocará o projeto em votação em agosto, “de qualquer maneira”, mesmo com um apelo feito pela própria presidente Dilma, para que o debate seja adiado.

Segundo o Estadão, a petista teria dito a Cunha que a correção do FGTS tornaria “inviável a terceira etapa do programa Minha Casa, Minha Vida”, pois os financiamentos com juros subsidiados ficariam mais caros – um golpe não somente na habitação, mas nas áreas de saneamento e infraestrutura.

“Cunha sempre quis ter o controle da gestão do FI-FGTS. Seu afilhado no banco estatal, Fábio Cleto, já participa do comitê de investimento [do fundo], mas apenas como representante da Caixa. Na última reunião do grupo – formado por trabalhadores, empresários e indicados pelo governo -, Cleto pediu vistas da escolha dos projetos da carteira do BNDES que receberia R$ 10 bilhões do FI-FGTS. O gesto, na prática, atrasou a transferência dos recursos do fundo para o banco de fomento”, observou o Estadão.

O afilhado de Cunha

Fábio Cleto - afilhado de Cunha Em março de 2012, o jornal Valor Econômico publicou que Fábio Cleto [foto] foi uma indicação do “governo” feita apenas para agradar o partido de Eduardo Cunha.

“Cleto é nome avalizado pelo PMDB na cúpula da Caixa. Sua permanência como conselheiro é vista como um esforço do Palácio do Planalto de acalmar as disputas internas no banco, onde uma briga política entre integrantes de PMDB e PT por espaço veio a público”, escreveu a jornalista Daniela Martins.

A queda de braço entre as legendas ficou evidente em 2011. Pemedebistas chegaram a acusar o então presidente da Caixa, Jorge Hereda, “de tentar diminuir o poder de Fábio Cleto”. À época, o afilhado de Cunha já ocupava dois conselhos: o comitê de investimentos do FI-FGTS e o conselho curador do FGTS.

“‘O conselho é um órgão amplo, com 28 membros que decidem as diretrizes da aplicação dos recursos. Já o comitê é formado por 12 integrantes e é quem de fato decide para onde o dinheiro vai. Trata-se de um nicho importante para fazer política, pois, segundo suas regras, os recursos devem ser aplicados ‘na construção, reforma, ampliação ou implantação de empreendimentos de infraestrutura em rodovias, portos, hidrovias, ferrovias, energia e saneamento’”, explicou o jornal.

Os petistas costumavam usar como argumento que Cleto não tem “perfil de gestor de banco público”, dada sua trajetória na iniciativa privada. “Formado em administração de empresas pela FGV, com mestrado em modelagem matemática pela USP, Cleto trabalhou em diversos bancos, como ABC Roma, Nacional Multiplic, Dresdner Bank e Itaú. (…) Sua indicação à Caixa é atribuída a Eduardo Cunha. Cunha, porém, nega. Diz que se trata de uma indicação do líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves.”

Ainda de acordo com o Valor, Cleto comprou briga com Hereda e Vasconcelos, ambos “ligados ao PT”, e chegou a irritar o Planalto. Ele teria se recusado a aprovar um documento em favor do veto presidencial ao artigo da Medida Provisória 540/2011, aprovada pelo Congresso com emendas patrocinadas pelo PMDB que permitiam que a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, fossem beneficiadas por recursos do FI-FGTS.

Seguindo a linha de pensamento peemedebista – interessada em favorecer o Rio de Janeiro, um de seus principais colégios eleitorais -, Cleto deu suporte à utilização de recursos do FGTS para essas obras. Hereda, segundo o Valor, passou a atuar “para que fosse demitido do cargo por insubordinação”, sem sucesso.

Divisão com PSD

As investidas do PMDB por mais espaço na Caixa aumentaram a partir de 2013, quando foi anunciado reformulações na estrutura do banco oficial para abrigar aliados políticos do PSD.

Àquela época, o PMDB possuía dois vice-presidentes: além de Fábio Cleto em Fundos de Governo e Loterias, Geddel Vieria Lima [foto] ocupava o segundo cargo mais importante na hierarquia do setor de Pessoa Jurídica. Essa área foi desmembrada e em parte oferecida ao partido de Gilberto Kassab.

Enquanto permaneceu na Caixa, Geddel irritou o governo ao correr na raia da oposição mesmo ocupando um cargo cedido pelo Planalto. Do grupo de Cunha, ele deixou o banco em 2014, como pretenso candidato ao governo da Bahia. Acabou disputando uma vaga de senador. Hoje, é presidente do PMDB baiano.

Fonte: Jornal GGN

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