30/05/18 Economia

Menor presença do Estado fragiliza pressão por juros menores

Bercovici: ‘sem bancos públicos com participação influente, perde-se poder de se contrapor à liderança dos privados’

A menor presença do Estado no setor financeiro, seja na Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, seja no BNDES, reduz o poder de contraposição do poder público para influenciar tarifas e juros em um segmento oligopolizado. Em paralelo, a Operação Lava Jato tem buscado punir as empresas e não os executivos envolvidos nos escândalos de corrupção, o que pode fragilizar alguns setores, como o de construção privada, com grandes empresas de capital nacional.

Essa é a visão de Gilberto Bercovici, professor titular da Faculdade de Direito da USP, que também participou na manhã desta terça-feira 22 de evento sobre o papel dos bancos públicos no desenvolvimento do Brasil, da série Diálogos Capitais, iniciativa da Editora Confiança e revista CartaCapital.

 “O setor financeiro é oligopolizado, são cinco bancos que concentram os depósitos e os créditos no país, sem os bancos públicos com participação influente, perde-se o poder de se contrapor à liderança dos bancos privados, então no fundo fica-se com apenas uma taxa de juros, porque todos combinam a mesma e praticam a mesma, então se perde a função de acirrar a concorrência e de tentar oferecer taxas mais baixas”, destacou.

Bercovici ressaltou que a criação dos bancos públicos e das empresas estatais é diferente das companhias privadas, já que são criadas por lei, são submetidos a controles externos, como o Tribunal de Contas de União e o Congresso, e sua função é diferente das instituições privadas. “Não é o lucro seu fim, mas executar políticas públicas definidas pelo Estado, por exemplo eles podem ser usados para irrigar de crédito a economia”, analisou.

Para ele, os desdobramentos da Operação Lava Jato também têm tido reflexos sobre a economia. “Há um vale tudo, um país degringolando, há uma punição às empresas e não aos executivos envolvidos nos escândalos de corrupção, o que terá impacto sobre setores econômicos, teria de haver uma separação entre as duas coisas.”

Fonte: Carta Capital

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