18/04/20 Opinião

Medida Provisória 905 x trabalho do Bancário

Estamos num momento crítico da sociedade em que se levanta a bandeira do emprego ou direitos trabalhistas. Alguns defendem o modelo dos Estados Unidos, só que vale lembrar que no país realmente não existe direito trabalhista, más se paga uma remuneração justa a seus cidadãos. Quando se tem uma remuneração justa você realmente não precisa de direitos. Você mesmo adquire um plano de previdência, uma casa, plano de saúde, escola para os filhos e outros benefícios.

Um ponto que chama a atenção nesta medida é quanto o trabalho aos domingos e aqui vale a pena refletir quanto a produtividade. Uma bateria é recarregada ao ser plugada na tomada, já o ser humano precisa não só de descanso, mas principalmente do convívio com a família. O que adianta um pai estar de folga em uma segunda-feira e sua esposa estar trabalhando e seus filhos na escola. Uma folga não substitui a outra! Ou seja produtividade e estímulo à economia não podem ser medidos apenas pelas horas trabalhadas. Descanso, convívio familiar, educação e tantos outros fatores podem ser usados para melhorar a eficiência e produtividade no trabalho.

Precisamos lembrar que os políticos devem ter um equilíbrio quanto aos estímulos a economia e direitos de seus cidadãos, será que eles são antagônicos. Bom seria que não precisássemos de direitos e pudéssemos adquiri-los por conta própria. Então peço uma reflexão aos políticos. Antes de cortar direitos procurem elevar a renda das pessoas para que elas mesmas conquistem sua dignidade.

Já com relação a jornada do Bancário e em resposta ao deputado Alexis Fonteyne, quero dizer que falta muito conhecimento ao trabalho realizado por esse profissional. O atendimento deve ser realizado com rapidez, agilidade, cortesia e eficiência. Lembro ainda que a “pressa é inimiga da perfeição”, Banco não é como uma loja de carro ou uma livraria, há muita demanda por vários serviços, normalmente em seis horas atendemos mais pessoas do que a maioria dos outros profissionais conseguem atender em 8 ou 12 horas. O que significa que já sofremos pressão assim que se abre a agência com as filas enormes.

Outro ponto importante é com relação as metas diárias e cumulativas que estão fazendo com que esses profissionais adoeçam com síndrome do pânico, depressão, LER e tantas outras doenças. Quero lembrar ainda que meta não significa tarefa, alguns acham que sofrem a mesma pressão por terem que realizar tarefas. Tarefas só dependem de você, metas não, meta não é como construir uma cabana ou digitar um texto. Nós bancários lidamos com a parte mais sensível dos clientes que é o “bolso” e somos avaliados e cobrados o tempo todo por isso.

Trabalhamos o tempo todo com a relação do tempo/eficiência/pressão. Não somos privilegiados, somos eficientes e responsáveis pelos maiores lucros de nossas empresas.

Aumentar a carga e diminuir nossos direitos só vai amentar ainda mais a pressão e o adoecimento sobre nós bancários. Não queremos privilégios, apenas lutamos por nossos direitos e condições dignas de trabalho. Você que acha que é fácil, o convido a vir trabalhar nos Bancos e cumprir nossas metas.

Quero lembrar ainda que não somos como os outros trabalhadores, temos que constantemente mudar de cidade a interesse da empresa ou para construir uma carreira. Nossos filhos tem que mudar constantemente de escola e arrumar novos amigos, nossos esposas tem que abandonar seus empregos e arrumar outro em cidades desconhecidas, o que nem sempre conseguem, sobrecarregando o bancário quanto ao sustento de sua família. Muitas vezes nossas esposas tem que abrir mão de suas carreiras para manter sua família unida. Alguns optam por deixar suas esposas e filhos na cidade de origem e aproveitam o final de semana para visita-las.

Quero deixar claro ainda que este texto tem a função de mostrar a realidade de uma classe que muitos acham que são privilegiados, e a realidade não é bem assim. Nós profissionais bancários fazemos nossos trabalhos com responsabilidade e amor a empresa, acreditamos que não há empresa que sobreviva sem lucro e esse lucro não vem do nada, é fruto da dedicação de cada um de nós.

Fonte : Johnny Sant’Anna – Funcionário do Banco do Brasil

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