07/11/19 Economia

IBGE: 10% mais ricos têm rendimento 13 vezes maior que os 40% mais pobres

A desigualdade de rendimentos cresceu no país em 2018 e alcançou o maior índice da série histórica da Síntese de Indicadores Sociais, iniciada em 2012 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas).

Os dados, divulgados hoje, mostram que, no ano passado, o rendimento dos 10% mais ricos foi 13 vezes maior que o dos 40% mais pobres.

A pesquisa revela que, desde 2016, o país passou a ter um aumento do rendimento médio das camadas mais ricas. Enquanto isso, houve queda entre os mais pobres, o que levou à diferença recorde.

“Até 2015 houve redução da desigualdade da renda do trabalho, segundo a razão de rendimentos habituais. A partir de 2016, observou-se movimento contrário, que, embora tenha permanecido estável no ano seguinte, se intensificou no último ano, alcançando 13 vezes, resultado mais alto da série. Quando o mercado de trabalho se mostrou aquecido, a dispersão dos rendimentos dos ocupados se tornou menor, indicando maior ganho”, explica o estudo.

Diferença de rendimentos entre os 10% mais ricos para os 40% mais pobres
2012 – 12,9 vezes
2013 – 12,5 vezes
2014 – 12,5 vezes
2015 – 12 vezes
2016 – 12,4 vezes
2017 – 12,4 vezes
2018 – 13 vezes 

Para o IBGE, a alta na diferença entre estratos veio porque a renda dos mais ricos cresceu em 2018. Já a dos mais pobres caiu no mesmo período. “Até 2015, a renda dos mais pobres crescia mais do que a dos ricos. Entre 2017 e 2018, o rendimento dos 10% mais ricos teve alta de 4,1%, enquanto os 40% mais pobres tiveram queda de 0,8%”, aponta.

“Um efeito explicativo pode ser atribuído à valorização do salário mínimo no período, que, ao conceder ganhos reais não apenas aos trabalhadores que recebem o piso salarial oficial como também àqueles cujos rendimentos são por ele influenciados, reduz as diferenças de rendimentos apropriados pelos menores décimos da distribuição, relativamente ao topo da distribuição, exatamente o que ocorreu até 2015”, explica o instituto.

Maranhão tem menor rendimento médio: R$ 607 
Outro dado da pesquisa sobre desigualdade é o Índice de Gini, que apresentava tendência de queda entre 2012 e 2015 — quando atingiu o menor valor (0,524).

“A partir daí, o índice apresentou comportamento crescente, chegando a 0,545 em 2018, o maior valor da série apresentada”, diz o documento do IBGE. Pela tabela, quanto mais perto de um, mais desigual é uma sociedade.

Por conta do aumento do rendimento dos mais ricos, o rendimento médio domiciliar cresceu em 2018, alcançando R$ 1.337 —contra R$ 1.285 em 2017. Isso interrompeu um ciclo de três anos de queda nos rendimentos, iniciado em 2015.

Evolução do Índice de Gini
2012 – 0,544
2013 – 0,533
2014 – 0,526
2015 – 0,524
2016 – 0,537
2017 – 0,538
2018 – 0,545 

Em termos regionais, o Maranhão foi o estado que apresentou o menor rendimento médio: R$ 607. Já o Distrito Federal teve o maior: R$ 2.407.

O levantamento ainda revela que 57,6% dos rendimentos domiciliares per capita em 2018 eram iguais ou inferiores ao valor do salário mínimo (R$ 954 na época).

A partir de 2015, o IBGE também apontou que foi percebida uma queda na parcela proveniente dos trabalhos em relação a rendimentos de outras fontes e de aposentadorias e pensões.

“Isso pode estar relacionado com o aumento da desocupação observada no mesmo período. Ainda assim, o trabalho permaneceu como a principal fonte dos rendimentos, correspondendo a 72,4% do rendimento total em 2018, ao passo que aposentadoria e pensão (20,5%) e outras fontes (7%) correspondiam a uma parcela menor”, afirma.

Desigualdade entre brancos e negros Ainda sobre rendimentos, a pesquisa voltou a mostrar diferenças entre gêneros e raças. “Em 2018, os brancos ganhavam em média 73,9% mais do que pretos ou pardos. Os homens ganhavam, em média, 27,1% mais que as mulheres”, diz.

As desigualdades de rendimento são marcantes quando a análise da distribuição do rendimento domiciliar per capita é feita para grupos de cor ou raça da população.

“Enquanto 16,4% da população branca estava entre os 10% com maiores rendimentos, apenas 5% da população preta ou parda encontrava-se nessa mesma classe de rendimentos em 2018. O inverso acontece entre os 10% com menores rendimentos, que abarcavam 13,5% da população preta ou parda diante de 5,5% da população branca. Em um cenário de perfeita igualdade racial haveria 10% das pessoas de cada grupo de cor ou raça distribuídas uniformemente pelas dez classes de rendimento.”

Em 2018, os negros tiveram rendimento médio domiciliar per capita de R$ 934, diante do rendimento médio de R$ 1.846 das pessoas de cor ou raça branca. “Entre 2012 e 2018, houve ligeira redução dessa diferença, explicada por um aumento de 9,5% no rendimento médio de pretos ou pardos, ante um aumento de 8,2% do rendimento médio dos brancos”, diz.

Fonte: UOL

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