18/10/17 Mobilização

Empregados se unem em defesa da Caixa

Apreensão, revolta e disposição para resistência tomam conta dos trabalhadores do único banco 100% público voltado para políticas sociais; Dia Nacional de Luta reforçou que privatização ou abertura de capital trarão imensos prejuízos à população e bancários

No dia em que o Conselho de Administração (CA) da Caixa pode votar alterações no estatuto da empresa que interferem no direito dos trabalhadores e transformam o único banco 100% público em uma sociedade anônima (S/A), trabalhadores e sindicatos organizaram Dia Nacional de Luta em defesa da instituição. É a campanha #DefendaACaixaVocêTambém.

Os atos dessa quarta feira 18 tiveram tuitaços e serão concluídos na audiência pública em defesa dos bancos públicos que será realizada na Câmara Municipal de São Paulo, a partir das 19h. Será a quarta realizada na base do Sindicato e a primeira na capital paulista. A audiência é aberta ao público. Basta comparecer. A Câmara Municipal de São Paulo fica no Viaduto Jacareí, 100, centro da cidade. Começa às 19h.

Na base do Sindicato de São Paulo, Osasco e região, trabalhadores protestaram na agência do Jardim Camargo Novo – uma das 100 unidades que a direção do banco quer fechar –, na Avenida Paulista, e na Gifug, centro administrativo localizado na Rua São Joaquim. Foram coletadas centenas de assinaturas em defesa dos bancos públicos e para emplacar um projeto de lei que revogue a reforma trabalhista.

Um dos palcos do protesto, o prédio da Gifug é emblemático porque abriga, dentre outros departamentos, as operações ligadas ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), uma das diversas funções sociais que a Caixa administra. Funções sob ameaças reais caso o banco seja privatizado ou tenha parte do seu capital aberto para a especulação financeira.

Setor estratégico – E por conta dos boatos de privatização ou da possibilidade de abertura de capital, um misto de apreensão, revolta e disposição para luta toma conta dos empregados lotados na Gifug. Dezenas deles deixaram seus postos de trabalho no começo da tarde da quarta-feira 18 e participaram de um protesto organizado pelo Sindicato em frente ao prédio.

“Uma porcaria!”, sintetizou uma bancária sobre a possibilidade de privatização ou abertura de capital. “A Caixa é operadora de políticas públicas e sociais, então os mais prejudicados serão os mais pobres, como sempre, e é o que a gente está vendo com esses golpistas.”

Para a trabalhadora, é fundamental que o governo mantenha um banco público forte. “A gente viu isso durante a crise de 2008, também na questão da taxa de juros. Não faz sentido votar para presidente se ele tiver uma atuação limitada na economia, por isso é importante que o governo controle um banco. Não acho que o governo tenha de ter muitas empresas, mas algumas  em setores estratégicos é importante. E o banco é um deles”, opina.

O dirigente Dionísio Reis convida a população a assinar o abaixo-assinado em defesa dos bancos públicos. #DefendaACaixaVocêTambém

Informações e privacidade no Twitter Ads

Apenas o primeiro passo – Para um dos bancários, a abertura de capital será apenas o primeiro passo. “Na realidade o governo quer diminuir a máquina pública. O governo diz que a crise é por conta da máquina pública, mas a gente sabe que não é. A Caixa está perdendo sua identidade de instituição social, seja Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, e no fundo isso está sendo feito para entregar o banco mais enxuto para o empresariado”, critica o bancário.

Ele também acredita que a sociedade será a mais prejudicada. “A Caixa é um banco voltado sobretudo para a população mais pobre. Em quem eles poderão se apoiar para ter mais dignidade, ajuda para poder ser reconhecidos na sociedade? Se a Caixa for privatizada ou tiver o capital aberto, isso vai acabar.”

Terra arrasada – Mas os prejuízos com a abertura de capital ou privatização não ficarão restritos à população, como lembrou um bancário que trabalhava no Banespa quando o banco público do governo do estado de São Paulo foi privatizado pela gestão de Fernando Henrique Cardoso na Presidência da República e vendido ao Santander no ano 2000.

“Assim que o Banespa foi privatizado, foi instituída uma política de terra arrasada. Todos nós [bancários do Banespa] passamos a ser vistos como imprestáveis, ineficientes, e aos poucos fomos sendo eliminados. Abertura de capital não vai tornar a Caixa eficiente. O que o governo quer é agradar o mercado, que está louco para pegar a fatia que a Caixa representa. A riqueza que nós produzimos: é o FGTS, o número de clientes, o financiamento habitacional, é isso que eles estão interessados. E não em melhorar o banco. Essa luta em defesa da Caixa tem de ser de todos.”

Edvaldo Rodrigues, da Apcef-SP, convida para a audiência em defesa dos bancos públicos, às 19h, na Câmara de SP. #DefendaACaixaVocêTambém

Informações e privacidade no Twitter Ads

Dilapidação – Para outra bancária, a abertura de capital ou privatização da Caixa representará a dilapidação de um patrimônio nacional. “A empresa vai deixar de ser totalmente dos brasileiros, vai perder a história bonita que tem, que começou aceitando depósitos dos escravos. A Caixa faz parte da vida de todo mundo. Tenho muito orgulho de trabalhar na Caixa por ser um banco público envolvido com o social, que realiza o sonho das pessoas na habitação, mas estão mudando o caráter do banco, entrando produtos que não veem o lado social. Estão mudando o foco.”

Outro bancário reforçou: “A questão da Caixa não é só da Caixa. É dos Correios, da Petrobras, da Eletrobras. É um governo corrupto que quer vender o carro para pagar a gasolina. Temos de nos unir com outras categorias para defender essas empresas que são de todos nós”.

Fonte: SPBancarios

 

Share on Facebook1Share on Google+0Tweet about this on TwitterPrint this page
Email this to someone

Tags:, , ,