08/09/17 Economia

Ciclo de corte de juros está perto do limite, dizem economistas

Especialistas também apontam que o efeito dos cortes anteriores ainda não se materializou totalmente na economia.

 

O atual ciclo de corte da taxa básica de juros da economia brasileira está perto do fim. Foi o que afirmaram economistas ouvidos pelo G1 após o corte de 1 ponto percentual da Selic nesta quarta-feira (6) pelo Comitê de Política Monetária (Copom), de 9,25% ao ano para 8,25%. Além disso, os especialistas apontam que os efeitos dos cortes anteriores ainda não foram totalmente sentidos na economia.

 

A decisão veio em linha com as expectativas do mercado. No entanto, no comunicado, o Banco Central indicou que o ritmo de cortes deve diminuir. “O Comitê vê, neste momento, como adequada uma redução moderada na magnitude de flexibilização monetária. Além disso, nessas mesmas condições, o Comitê antevê encerramento gradual do ciclo.”

 

Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos, diz que a sinalização de um ritmo mais suave do corte de juros “é compreensível, à luz do tamanho do corte já feito” até agora. Ainda assim, a economista vê como “bastante adequado” o corte de 1 ponto percentual na reunião desta quarta.

 

“Há espaço para isso. A inflação está muito bem comportada, e sem riscos que a gente possa enxergar no horizonte. Justifica mesmo colocar a política monetária no campo expansionista”, avalia Latif.

 

Para o professor de economia do Insper, Otto Nogami, a trajetória de cortes na Selic estaria se aproximando do “limite” diante da ainda frágil recuperação da economia e incertezas em relação à aprovação das reformas, sobretudo da Previdência, e ao reequilíbrio das contas públicas.

 

“Realmente chegamos no patamar mínimo possível ou admissível”, afirma. “Tudo vai depender do quer vai acontecer com os preços, que tradicionalmente tendem a aumentar no 2º semestre. Então seria um quanto imprudente o Banco Central manter esse mesmo nível de redução. Dentro dessa perspectiva, talvez venha reduzir em 0,5 ou até providencialmente em 0,25”.

 

O mercado projeta que a Selic termine o ano a 7,25%, o que seria o menor patamar da história. Para André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, o cenário-base precificado pelo mercado continua sendo de Selic terminando o ano ao redor de 7%. Ele destaca, entretanto, que a trajetória da inflação e a aprovação da criação da Taxa de Longo Prazo (TLP), a nova taxa de juros do BNDES, criam condições para uma queda estrutural dos juros no país, o que abre caminho para afrouxar um pouco mais a Selic. “Temos uma situação que permite juros mais baixos”, afirma.

 

Latif também acredita que é possível que essa estimativa se confirme. “Nós acreditávamos que a taxa Selic poderia romper 8% e, desde então, a gente teve boas notícias como a aprovação da TLP, o cenário internacional benigno. A gente vem acumulando notícias que favorecem uma taxa a 7%.”

 

Retomada da economia
Mesmo com a diminuição do ritmo corte de juros, economistas não esperam que o início da retomada do crescimento da economia seja revertido, já que os efeitos das reduções anteriores ainda não se materializaram totalmente na economia.

 

“O ritmo mais acentuado de queda dos juros foi neste ano. E leva de 6 meses a 1 ano para se começar a sentir o efeito na economia real. É sentido mais rápido no mercado financeiro, mas a economia real leva mais tempo. E ainda não se sentiu um impacto profundo dessa queda de juros”, explica Pedro Coelho Afonso, chefe de operações da Gradual Investimentos.

 

Já Latif diz que a economia ainda dá “pequenos sinais incipientes” de recuperação. “Claro que a gente já tem alguns ‘brotos verdes’. O comércio, no primeiro trimestre, já começa a sentir alguma coisa. A taxa de juros começa a aliviar o peso da dívida de muitas pessoas, a confiança melhora para o consumidor. Esses sinais de agora são o início de uma recuperação. Ao longo do segundo semestre a gente vai ver esses sinais crescerem, e certamente a materialização desse relaxamento da taxa de juros deve vir no próximo ano.”

 

Inflação
O novo corte da Selic acontece em um cenário de inflação ainda em baixa. De janeiro a agosto, segundo o IBGE, a inflação oficial, medida pelo IPCA, ficou em 1,62%, bem abaixo dos 5,42% registrados em igual período do ano passado. Este foi o menor acumulado no ano para um mês de agosto desde a implantação do Plano Real (1994).

 

No entanto, Nogami alerta para o risco de alta de preços em meio a um cenário de menor rentabilidade da poupança e fundos de renda fixa e, portanto, de maior estímulo ao consumo.

 

“Na medida em que o brasileiro não ver vantagem em estar economizando, ele tende a canalizar seus recursos para o consumo e isso acaba naturalmente pressionando os preços, tendo em visto que ainda não se constata uma preocupação das empresas em aumentar a sua produção de maneira significativa”.

 

Fonte: G1

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