08/10/18 Contradição

Bolsonaro é o candidato ‘do sistema’, diz sociólogo

Wagner Ribeiro, da USP, diz que apesar do discurso “contra tudo o que está aí”, capitão reformado é apoiado por forças tradicionais. Partidos podem implodir com deslegitimação da política

Bolsonaro esconde projetos econômicos atrás de discurso moralista e armamentista

O candidato Jair Bolsonaro (PSL) é um político “do sistema”, apesar de se apresentar nas eleições 2018 com discurso antissistema. Ele se beneficia do discurso de deslegitimação da classe política, do desmanche das instituições, inclusive a imprensa, e surfa na onda das notícias falsas – fake news – alimentada pelos seus apoiadores. É o que afirma o sociólogo e professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, Wagner Ribeiro, durante o plantão do Seu Jornal, na TVT, para a cobertura das eleições 2018.

“Bolsonaro é um político antigo. Apesar do discurso antissistema, ele é um cara do sistema, e apoiado por diversas forças do sistema econômico e do sistema político. Mas a mensagem de ser ‘contra tudo o que está aí’, a gente já ouviu esse tipo de mensagem, mais uma vez parece que vem com muita força.” Ribeiro diz que partidos políticos “com menor enraizamento social” correm o risco de serem “implodidos”, apesar de muitos terem apostado na estratégia de deslegitimação da classe política.

Sobre as fake news, o sociólogo afirma que, num cenário de descrença nas instituições – poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e também a mídia – os eleitores basearam suas decisões de votos na opinião de pessoas do próprio circulo de convívio. “O familiar, o amigo ou colega de trabalho. Em meio a isso, compartilham muitas informações falsas que fazem estrago na imagem de candidatos.”

Pauta do Congresso

Se as pesquisas boca de urna se confirmarem na apuração, e ficar registrado o avanço das “forças do atraso”, o assunto principal no Congresso Nacional a partir de 2019, será a “retirada de direitos”.

“Essa é a questão fundamental que interessa à elite econômica do Brasil. O objetivo deles, em primeiro lugar, é fazer a reforma da Previdência. Em segundo lugar, terminar de desestruturar os direitos trabalhistas. Por fim, a entrega do patrimônio nacional e o desmantelamento de toda a estrutura estatal que foi construída no pós-guerra”, diz o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP).

Ele diz que os planos econômicos de Bolsonaro ainda são uma “incógnita” para a população, e acredita que no segundo turno, “no debate mano a mano”, será possível esclarecer à população sobre as inconsistências do seu projeto. “Esse discurso contra a corrupção, pela liberação dos armamentos, o moralismo, tudo isso esconde a proposta que ele tem para o Brasil.”

Fonte: Rede Brasil Atual

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