Bancos lucram bilhões e não querem dar aumento real - Sindicato dos Bancários de Ponte Nova

07/08/18 Campanha 2018

Bancos lucram bilhões e não querem dar aumento real

Fenaban propõe reajustar salários e demais verbas, como pisos, PLR, VA e VR, apenas pela inflação do período, projetada em 3,90%. Nesta quarta 8 tem assembleia nas grandes capitais, para apreciar a proposta, e Comando dos Bancários indica sua rejeição.

Reposição da inflação, medida pelo INPC, para salários, pisos e demais verbas, como PLR, VA, VR e auxílio-creche/babá. Esta foi a proposta apresentada por um dos setores mais lucrativos do país aos trabalhadores, na mesa de negociação desta terça-feira 7 da Campanha Nacional dos Bancários 2018. Além disso, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) não trouxe respostas a outras reivindicações importantes da categoria, como manutenção dos empregos e a não adoção das novas formas de contratação previstas na reforma trabalhista.

Os representantes dos trabalhadores, deixaram claro na mesa que a proposta não contempla os bancários, que são os responsáveis pelos resultados tão positivos dos bancos e que merecem valorização. Ela é insuficiente, pois não prevê aumento real. E é incompleta, já que a Fenaban não trouxe respostas para várias reivindicações que foram apresentadas ao longo das cinco rodadas anteriores de negociação, como as demandas de saúde e emprego. E nem se comprometeram com a não retirada de direitos, como a não substituição de bancários por terceirizados, a não adoção das novas contratações previstas na reforma trabalhista.

Além de não atenderem às reivindicações, a Fenaban ainda ameaçou a categoria com a retirada da cláusula sobre dias não trabalhados (greve). Ou seja, não irá abonar os dias parados.

Pela proposta da Fenaban, o acordo seria de quatro anos, com reposição da inflação a cada data base da categoria (1º de setembro). Para este ano, o reajuste seria de 3,90% (projeção do INPC entre 1º de setembro de 2017 e 31 de agosto de 2018). O Comando adiantou que acordo de quatro anos só com garantia de empregos.

A próxima rodada de negociação com a Fenaban ficou marcada para o dia 17 de agosto.

Acontecerão assembleias nas grandes capitais do pais, neste dia 8, para apreciação da proposta e deliberação sobre a participação da categoria bancária nos atos e paralisações da sexta-feira 10 de agosto, o Dia do Basta, chamado pelas Centrais Sindicais e pelos movimentos sociais, em protesto contra os retrocessos do governo golpista de Temer, como a reforma trabalhista, o aumento dos combustíveis, a entrega do patrimônio nacional e o desmonte das empresas públicas, entre elas a Caixa e o BB, o aumento do desemprego e o empobrecimento da população, com crescimento da miséria e cortes nas verbas da saúde e educação. O Comando Nacional dos Bancários indica sua rejeição, pelo fato de a proposta ser insuficiente e incompleta.

Os bancários devem se unir às demais categorias para se manifestar contra as medidas do governo Temer e também contra a proposta insuficiente e incompleta dos bancos.

Bancos lucram alto

Mesmo na crise, os bancos ganham, e muito. Em 2017, os cinco maiores bancos que atuam no país (Itaú, Bradesco, Santander, BB e Caixa), que empregam em torno de 90% da categoria, lucraram juntos R$ 77,4 bilhões, aumento de 33,5% em relação a 2016. Só no primeiro trimestre deste ano, eles já atingiram R$ 20,3 bi em lucro, 18,7% a mais do que no mesmo período de 2017. E os balanços do semestre já divulgados pelo Itaú, Bradesco e Santander apontam que o ritmo de crescimento se manterá.

Entre 2012 e 2017, o lucro líquido das maiores instituições financeiras no país teve uma variação real positiva de 12%. E o volume das atividades também apresentou crescimento nesse período: a carteira de crédito aumentou 25% acima da inflação e o número de clientes com conta corrente e conta poupança apresentou alta de 9% e 31%.

Os dados deixam claro que os bancos não têm nenhuma desculpa para não oferecer aumento real aos bancários. Também não dão margem para qualquer justificativa para os cortes de postos de trabalho que o setor vem promovendo. Na mesa, os bancos só se comprometeram em não adotar o empregado hipersuficiente, previsto na reforma trabalhista. Mas isso é pouco, os bancários querem aumento real e querem garantia de emprego, garantia de que os bancos não adotarão as novas contratações permitidas pela lei trabalhista de Temer. Querem ainda melhorias nas cláusulas de saúde da CCT, já que  são uma das categorias que mais adoecem. Querem o fim das metas abusivas, uma das principais causas do adoecimento. Enfim, querem uma proposta melhor e completa.

Fonte: Movimento Sindical

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